Até 2030, o custo médio das colheitas consideradas chave para a alimentação da população global vai aumentar entre 120% e 180%, prevê a ONG no seu relatório Growing a Better Future (Plantando um Futuro Melhor).
Metade desse aumento de custos deverá ser creditada às mudanças climáticas. Sendo assim, para a Oxfam é preciso que os líderes globais trabalhem tanto para regular os mercados de commodities como para a criação de um fundo climático global.
“O sistema [de negociação] de alimentos deve ser revisto se quisermos superar os crescentes desafios relacionados com as mudanças climáticas, aumentos no preço da comida e falta de terras, água e energia”, destacou à BBC Brasil Barbara Stocking, executiva chefe da Oxfam.
O Banco Mundial também advertiu que o aumento nos preços dos alimentos está a levar milhões de pessoas para a pobreza extrema. Em Abril, a instituição informou que os custos dos alimentos haviam aumentado 36% num ano, em parte devido aos distúrbios no Médio Oriente e no Norte da África.
Para a Oxfam, é preciso que haja mais “transparência” nos mercados de commodities e regulamentação de mercados de futuros; um aumento de estoques de alimentos; o fim das políticas que promovam biocombustíveis [por supostamente ocupar terras que poderiam servir para a agricultura]; e investimentos em culturas familiares, em especial os comandados por mulheres.
Insegurança alimentar
No relatório, a ONG ressalta quatro áreas de alta insegurança alimentar – locais onde já existem dificuldades para alimentar os habitantes. O primeiro deles é a Guatemala, onde 850 mil pessoas são afectadas pela falta de investimentos estatais em pequenos agricultores e pela alta dependência de alimentos importados.
O segundo é a Índia, onde a população gasta em comida duas vezes mais que os cidadãos britânicos (proporcionalmente ao que recebem de salário).
Em terceiro, a Oxfam cita o Azerbaijão, onde a produção de trigo caiu 33% em 2010 devido a más condições climáticas, forçando o país a importar grãos da Rússia e do Cazaquistão. Os preços dos alimentos no país subiram 20% em Dezembro de 2010 em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Em quarto está o Leste da África, onde 8 milhões de pessoas enfrentam actualmente a falta crónica de alimentos por causa da seca. Mulheres e crianças estão entre os mais afectados.
Publicado originalmente no site EcoD, disponível em envolverde.com.br