O economista-chefe do Deutsche Bank, Thomas Mayer, admitiu que Portugal pode vir a ter de reestruturar a dívida, assim como a Grécia, sendo que neste país este cenário é mais provável.
O economista disse em entrevista à agência Lusa que Portugal ainda está "no início do processo de ajustamento" e será necessário esperar algum tempo para avaliar os resultados, mas uma eventual reestruturação da dívida pública, ou seja, pagar apenas uma parte ou adiar o prazo de liquidação, é uma hipótese que não pode ser posta de parte.
"Se o ajustamento não funcionar, se a dívida for muito alta, tem de se colocar a hipótese de parar com o programa e proceder à reestruturação da dívida", disse.
Para Thomas Mayer, um cenário de reestruturação da dívida é mais provável na Grécia, se as "condições exigentes" impostas pela 'troika' não forem cumpridas.
O economista disse que não compreende as declarações de responsáveis do BCE que disseram que uma reestruturação da dívida provocará o "caos". Para ele, as consequências desta decisão poderão ser atenuadas com uma "reestruturação ordeira da dívida" e um programa de minimização dos seus efeitos.
Segundo Mayer, se os programas de resgate financeiro falharem e se não houver uma reestruturação da dívida haverá um "problema de legitimidade política na união monetária", uma vez que os "eleitores" dos países que participaram na ajuda "não vão continuar a financiar a assistência".
Na semana passada, o antigo comissário europeu das Relações Exteriores e actual presidente da BBC, Chris Patten, considerou em entrevista à Lusa que a Grécia terá, mais cedo ou mais tarde, de reestruturar a dívida soberana.