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Porto de Liverpool retirado da lista de património mundial pela Unesco

A exploração imobiliária que descaracterizou o local foi a razão invocada para a decisão. Maria Manuel Rola compara a situação, que aconteceu porque a cidade “não ter ouvido os avisos que lhe foram sendo feitos”, com a atitude de Rui Moreira que continua o seu projeto “sem ouvir ninguém e até protestando com a própria Unesco”.
"Por cá, Rui Moreira continua o seu projeto de cidade líquida sem ouvir ninguém e até protestando com a própria Unesco”, comentou a deputada Maria Manuel Rola.
"Por cá, Rui Moreira continua o seu projeto de cidade líquida sem ouvir ninguém e até protestando com a própria Unesco”, comentou a deputada Maria Manuel Rola.

Treze delegados do Comité do Património Mundial da Unesco votaram a favor da desclassificação do porto histórico do noroeste de Inglaterra, um símbolo da era industrial do século XIX.

A desclassificação surge depois de anos de especulação imobiliária no local e, mais recentemente, de novos planos de construção de três edifícios de grandes dimensões e um novo estádio de futebol.

No entender da Unesco, os novos projetos fizeram com que a zona do porto perdesse a autenticidade, sendo que o novo estádio de futebol (do Everton), aprovado recentemente pelo Governo sem consulta pública, constituiu "um exemplo totalmente contrário" aos objetivos da Unesco, noticia a Lusa. 

O governo britânico reagiu, declarando estar “extremamente dececionado” com a decisão, mas o Conselho Internacional para os Locais e Monumentos, da Unesco, já tinha enviado vários avisos ao Governo britânico, pedindo garantias sobre o futuro da cidade.  

O porto de Liverpool tinha sido classificado em 2004 pela Unesco como património mundial na sequência de um plano de recuperação das docas, em estado de degradação há várias décadas. É um símbolo histórico como ponto de partida de emigrantes irlandeses e britânicos e da chegada forçada de escravos.    

Torna-se assim no terceiro local a ser a retirado da lista da Unesco, depois de decisões semelhantes em relação ao "santuário" de oryx, em Omã, e do vale de Elba, na Alemanha.  

Alguns países, entre os quais a Austrália, onde a Grande Barreira de Coral também pode vir a ser desclassificada, pronunciaram-se contra a retirada de Liverpool da lista, considerando que se trata de uma "medida radical" tomada "em plena pandemia do coronavírus". A Austrália quer evitar a decisão negativa da Unesco devido ao impacto nas receitas turísticas.

O Brasil, a Hungria e a Nigéria defenderam o adiamento da decisão para 2022 para que fosse concedido tempo ao novo conselho municipal de Liverpool, que tomou posse no passado mês de maio. 

A deputada Maria Manuel Rola comentou a decisão, escrevendo no Facebook que “Liverpool perde estatuto de patrimonio mundial por não ter ouvido os avisos que lhe foram sendo feitos pela Unesco desde 2012. Por cá, Rui Moreira continua o seu projeto de cidade líquida sem ouvir ninguém e até protestando com a própria Unesco”.

 

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