Porto: Cinema Trindade reabre ao público 14 anos depois de fechar portas

23 de abril 2014 - 18:18

Catorze anos depois de ter encerrado, o cinema Trindade reabre esta sexta-feira para o Desobedoc, uma mostra de cinema documental a propósito das comemorações dos 40 anos do 25 de abril. Organizado pelo Partido da Esquerda Europeia em colaboração com o Bloco de Esquerda, ao longo de três dias as telas do Trindade exibirirão estórias de resistência ao fascismo.

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Foi no último dia de 2000 que os 22 funcionários se despediram do cinema Trindade com a derradeira exibição do filme "O 6.º dia", protagonizado por Arnold Schwarzenegger. O blockbuster em cartaz não trouxe público, as cadeiras ficaram vazias e o cinema fechou.

Com um total de 351 lugares, durante o último ano de actividade, a afluência às salas do Trindade atingiram os mínimos históricos de 7,3 espectadores por sessão, razão que terá motivado a Neves & Pascaud, empresa gestora do cinema, a fechar portas. Depois disso, reabriu episódicamente em 2008 para acolher uma extensão do festival Indie. Esta sexta-feira, volta a abrir portas para receber, durante 3 dias, o Desobedoc – Mostra de Cinema Insubmisso.

O renascimento - ainda que temporário - partiu da iniciativa do Partido da Esquerda Europeia em colaboração com o Bloco de Esquerda. São 25 os documentários que vão dar vida a um daqueles que é considerado um dos ícones do cinema tradicional da cidade invicta. Ao longo de três dias, o Trindade será palco de uma acção simultânea de comemoração e protesto. Com as comemorações dos 40 anos do 25 abril em pano de fundo, a organização da iniciativa aproveita para deixar o recado: “Num país onde não existe Ministério da Cultura, num Porto a quem os equipamentos culturais foram sendo sucessivamente subtraídos nestes últimos 12 anos, numa cidade onde a austeridade nos morde as canelas e que todos os dias vê tanta gente partir, abrir o Trindade por três dias é, em si mesmo, um ato de resistência”.

A utilização, por parte do Bloco de Esquerda, de espaços culturais esquecidos não é, de resto, novidade para o público mais atento. Já em Setembro passado, também a candidatura autárquica “E se virássemos o Porto ao contrário?” elegeu o teatro Rivoli para abertura oficial da campanha. Na convocatória lia-se: “Dia 17 vire-se do avesso o que fizeram do Rivoli. E fale-se da cidade que queremos com gente e habitação acessível, que não escorrace os mais pobres, que responda à crise social, que acolha a diversidade, que tenha memória, que faça da democracia uma vivência de todos os dias”. O evento, que pretendeu devolver aos portuenses um dos ícones culturais da cidade, reuniu cerca de mil pessoas.

O Desobedoc decorre entre 25 e 27 de Abril, a entrada é livre e alguns documentários estreias na cidade invicta.

Na noite de sábado (26 de abril), a programação muda-se para o Cinema Batalha, uma outra sala histórica da cidade, também fechada, e reaberta por um dia para um serão onde poesia, música e política prometem combinar-se. Alexis Tsipras, Marisa Matias, António Capelo, Uxia e Fred Martins são os convidados daquela que pretende ser uma evocação internacionalista dos 40 anos da revolução.