População portuguesa será de 7,5 milhões em 2080, revela projeção do INE

30 de março 2017 - 17:02

População portuguesa deverá registar uma quebra passando dos atuais 10,3 milhões para 7,5 milhões em 2080, enquanto o número de residentes no país com menos de 15 anos descerá para um patamar inferior a um milhão.

PARTILHAR
A conjugação de vários fatores torna irreversível o envelhecimento da população. Foto de Pedro Ribeiro Simões/ Flickr
A conjugação de vários fatores torna irreversível o envelhecimento da população. Foto de Pedro Ribeiro Simões/ Flickr

A população com menos de 15 anos de idade residente em Portugal registará uma diminuição até 2080, passando dos atuais 1,5 milhões para menos de 1 milhão de pessoas, revela uma projeção do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Globalmente, Portugal deverá passar dos actuais 10,3 milhões de habitantes para apenas 7,5 milhões em 2080.

O INE definiu quatro cenários de projeção da população: cenário baixo, cenário central, cenário alto e cenário sem migrações, baseado em diferentes conjugações das hipóteses alternativas de evolução das componentes de evolução demográfica.

Desta forma, a diminuição de 1,5 milhões de jovens para menos de um milhão de pessoas enquadra-se no cenário central, sendo que esta população ficará abaixo do limiar de 1,4 milhões já em 2018 situando-se nos 1.396.366 milhões.

Em 2023, deverá situar-se abaixo dos 1,3 milhões (1.290.266 habitantes) e sete anos depois, abaixo dos 1,2 milhões (1.191.634 habitantes) e em 2046, abaixo dos 1,1 milhões (1.090.695 habitantes), sendo que a queda para menos de um milhão de jovens em Portugal deverá acontecer em 2055 (994.294 habitantes).

 População jovem diminui nos resultados de todos os cenários projetados

O INE refere que mesmo tendo em conta neste cenário um aumento da fecundidade e também uma alteração para saldos migratórios positivos, a diminuição de mulheres em idade fértil que se regista desde 2003 terá como consequência a redução do número de nascimentos e, ato contínuo, da população jovem nos próximos anos.

perante a diminuição da população jovem, conjugada com o aumento da população idosa, o índice de envelhecimento mais do que duplicará, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens em 2080

Importa ainda referir que, de acordo com o INE, a tendência para o decréscimo da população jovem surge nos resultados de todos os cenários de projeção considerados, revelando uma oscilação que poderá variar entre 1,3 milhões no cenário alto e 0,5 milhões no cenário baixo, em 2080.

As diferenças registadas na evolução deste grupo etário relacionam-se essencialmente com a influência dos saldos migratórios, dos níveis de fecundidade e da conjugação de ambos, nos diferentes cenários, e é igualmente transversal a todas as regiões e em todos os cenários, à exceção da Área Metropolitana de Lisboa e do Algarve mas apenas se tivermos em linha de conta o cenário alto.

Por outro lado, o envelhecimento da população portuguesa estabilizará apenas em 2049 já que o número de idosos passará de 2,1 para 2,8 milhões no período compreendido entre 2017 e 2080.

Desta forma e perante a diminuição da população jovem conjugada com o aumento da população idosa, o índice de envelhecimento mais do que duplicará, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens em 2080.

No que respeita à população com 65 anos ou mais anos, a projeção indica que poderá passar de 2,1 para 2,8 milhões de pessoas, entre 2015 e 2080, no cenário central, mas o número de idosos atingirá o seu valor mais elevado no final da década de 40, passando a decrescer a partir dessa altura.

No que diz respeito à população em idade ativa, haverá uma diminuição de 6,7 para 3,8 milhões de pessoas, enquanto o índice de sustentabilidade - quociente entre o número de pessoas com idades entre 15 e 64 anos e o número de pessoas com 65 e mais anos - poderá registar uma forte diminuição, face ao decréscimo da população em idade ativa, a par do aumento da população idosa. Este índice passará de 315 para 137 pessoas em idade ativa, por cada 100 idosos, entre 2015 e 2080.

O INE indica que os resultados obtidos não devem ser entendidos como previsões, dado que que são condicionados não só pelo volume  como pela estrutura da população, no momento de partida - 2017 - e pelos diferentes padrões de comportamento da fecundidade, da mortalidade e das migrações, estabelecidos em cada um dos cenários, ao longo do período da projeção.

File attachments