“A política do remendo é um risco para Portugal e para a democracia”

06 de março 2024 - 23:25

Em Braga, Mariana Mortágua afirmou que o programa eleitoral do PS "é uma nova coleção de remendos” que prossegue a “desesperante política da maioria absoluta" na habitação, saúde e educação. Bruno Maia prometeu que o Bloco "é a força que vai impedir o assalto da direita ao SNS”.

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Mariana Mortágua
Fotos de Ana Mendes.

A coordenadora do Bloco criticou a “política que varre as queixas para debaixo do tapete e empurra para depois a mudança necessária”, “como se tudo pudesse esperar por soluções reais e bastasse segurar as pontas com paliativos”.

“O risco é confundir soluções com política que faz de conta. Faz de conta que resolve, faz de conta que se pode puxar a manta para cima sem destapar os pés, ou para baixo sem destapar a cabeça. A política que corre atrás do prejuízo vive da resposta de emergência e perde-se atrás da próxima resposta de emergência”, continuou Mariana Mortágua. 

De acordo com a líder bloquista, esta “política do remendo” é “um risco para Portugal e é um risco para a democracia”. E esse “tem sido a desesperante política da maioria absoluta do PS para a habitação, a saúde, a educação”. 

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Mariana Mortágua lembrou a política da maioria absoluta na habitação, que, mantendo benefícios fiscais à especulação, vistos gold, incentivos aos nómadas digitais, “empurrou a subida dos preços”.

Ou na educação, nomeadamente com o congelamento da carreira dos professores e a chantagem usada para impedir a contabilização do tempo de serviço dos professores. Nesta área, “a prova do vício” surge quando o PS apresenta como solução manter os professores mais velhos a lecionar por mais tempo.

A coordenadora do Bloco afirmou que, neste contexto, é natural que o secretário geral do PS já tenha reconhecido o falhanço da maioria absoluta em áreas como a educação, a habitação e a saúde.

“É uma evidência: vinte horas de espera numa urgência entram pelos olhos dentro, mais de milhão e meio sem médico de família, as casas mais caras da Europa, tudo fracassos. O Bloco avisou: as políticas estavam erradas, protegeram o negócio e não as pessoas”, vincou Mariana.

E agora, “apesar das evidências, o PS volta a apresentar um programa eleitoral que é uma nova coleção de remendos”. “O PS está viciado em remendos”, avançou a dirigente bloquista.

Mariana apontou que, em contrapartida, o Bloco tem vindo a defender medidas que efetivamente baixam a prestação da casa, salvam a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, e é por isso que o partido “vai ser determinante numa maioria que governe para resolver o acesso de toda a gente à habitação e à saúde”.

A força do Bloco é aquela que transforma impossíveis em rotinas”

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O cabeça de lista do Bloco por Braga garantiu que “o Bloco é a força que vai impedir o assalto da direita ao SNS”.

A quem diz que o Bloco quer “impossíveis”, Bruno Maia deu uma resposta direta: “Há quem nos chame loucos porque só queremos impossíveis. Pois sejamos poetas loucos e nomeemos os nossos impossíveis: casa para toda a gente; tetos às rendas; médico de família; mais direitos e mais salários, professores nas escolas, transportes coletivos gratuitos, salário igual para as mulheres, fim à violência de género e à discriminação, uma transição energética justa”.

“Aqui estão os nossos impossíveis. Serão as rotinas amanhã, porque a força do Bloco é aquela que transforma impossíveis em rotinas”, disse o candidato.

Bloco “quer construir uma sociedade justa e solidária”

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O candidato Miguel Martins enfatizou que o Bloco “quer construir uma sociedade justa e solidária, em que todas as pessoas sejam tratadas por igual”.

“Queremos transformar o país e a sociedade, defendendo os interesses de quem trabalha e trabalhou toda a vida, e não as preocupações de uma mão de senhores, que apenas querem proteger os seus lucros”.

E deixou um alerta sobre o que está em causa no próximo dia 10 de março: “Não se enganem. No próximo domingo, não disputamos apenas eleições. Disputamos visões alternativas para o país e para o nosso futuro comum”.

É preciso fazer que nunca foi feito na Educação”

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Alexandra Vieira defendeu que fazer o que nunca foi feito é “olhar para o problema da falta de professores de frente”, implementando um plano de reforma antecipada e um outro de rejuvenescimento da profissão, dando apoio aos professores deslocados, contando todo o tempo de serviço e reposicionando de forma justa numa carreira sem travões.

Fazer o que nunca foi feito é também, de acordo com a candidata, “devolver a democracia às escolas”, dar “autonomia aos professores, professoras e educadores para que se sintam seguros e com autoridade e possam experimentar outros modos de ensinar, com diferentes perspectivas e visões críticas”, e dar autonomia às escolas para decidir sobre carga horária, apoios, ofertas educativas. Ou reconhecer a especificidade das funções dos auxiliares de ação educativa, olhar para o currículo nacional e para o que se ensina.

Alexandra Vieira denunciou o objetivo de alguns no sentido de criar “a sensação de caos como forma de promover as alternativas privadas em vez do necessário investimento na educação pública”.

“Bloco é o povo contra a direita e a extrema-direita”

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Francisco Louçã afirmou em Braga que, no Bloco, afirma-se “a igualdade e a liberdade para vencer a ameaça de uma direita de que metade quer ser como a extrema-direita”.

“Esta extremização da direita promove uma crise larvar que conspurca a vida pública e as regras que temos tido na República em cinquenta anos. E temos todas as razões do bom senso para lhe fazer frente”, realçou.

Francisco Louçã acrescentou que “o Bloco é o povo contra a direita e a extrema-direita e é isso que fará o resultado eleitoral de uma maioria à esquerda”.

O antigo coordenador bloquista apontou ainda que a força deste partido “é a dos eleitores que não aceitam repetir o pesadelo da maioria absoluta, é o voto das mulheres que recusam a prepotência, é o voto dos jovens que querem viver por si, é o de todos quantos se opõem ao desrespeito pelos outros, é o voto que quer vida boa para toda a gente”.

O comício de Braga contou ainda com a música de Rui David e a leitura de dois textos, de Audre Lorde e de Ana Luísa Amaral, por Lila Tiago.