A manifestação convocada pelo grupo Fúria 99, UNTRA e Juventude Bloquista para este sábado não chegou a partir do Largo de São Paulo, em Luanda. Apesar de comunicada às autoridades com mais de um mês de antecedência, o forte dispositivo policial presente no local não permitiu a realização da marcha, invocando a existência da marcha dos 60 anos da UNITA e afirmando que não havia registo da comunicação feita sobre esta iniciativa.
A marcha tinha por objetivo protestar contra a prisão preventiva de três ativistas durante as manifestações de julho de 2025 contra o aumento do preço dos transportes e dos combustíveis. Serrote de Oliveira, conhecido por "General Nila”, André Miranda e Osvaldo Caholo continuam detidos e só este último começou a ser julgado, após duas greves de fome. É acusado de crimes de incitação a violência, apologia pública ao crime e rebelião.
"Há um silêncio enorme (...) Até agora temos o general Nila sem nenhuma acusação formal, já há oito meses", disse à agência Lusa Bento Fernando, da UNTRA. "Nós viemos aqui apenas cumprir aquilo que é o nosso dever cívico, mas infelizmente fomos impedidos", afirmou, acrescentando que dois ativistas foram detidos e exigindo a sua libertação imediata.
No local da concentração juntaram-se também ativistas da União Nacional para a Vanguarda do Voto nas Ruas, que apelaram à mobilização e entoaram palavras de ordem como "temos de lutar para libertar os nossos irmãos" e "quem devia estar preso são os dirigentes do MPLA".
Numa das faixas da manifestação estavam as fotografias de cinco ativistas detidos - além dos três já citados, também Soba D'Samba e Arlindo Kalupeteka - ao lado do papa Leão XIV, com uma mensagem de esperança de que a visita papal de 18 a 21 de abril possa contribuir para a libertação dos presos políticos em Angola.