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Polícia alemã desmantela rede de extrema-direita prestes a cometer atentados

A polícia federal alemã prendeu esta sexta-feira 12 suspeitos de planear ataques contra políticos, refugiados e muçulmanos. Faziam parte de um grupo chamado “Der harte Kerne”. No dia seguinte, como estava marcado, milhares de pessoas saíram às ruas de Dresden e de Erfurt para dizer não a “pactos com os fascistas”.
Manifestação contra a extrema-direita em Erfurt. Fevereiro de 2020.
Manifestação contra a extrema-direita em Erfurt. Fevereiro de 2020. Foto de unteilbar.

Por ordem de um tribunal, 12 pessoas foram detidas na Alemanha esta sexta-feira. Segundo a Procuradoria Federal Alemã estavam envolvidos numa rede que preparava ataques terroristas.

A organização, denominada “Der harte Kern”, ou seja o “núcleo duro”, era composta de homens entre os vinte e os cinquenta anos e foi formada em setembro passado. Quatro de entre eles foram acusados de formar um grupo terrorista. Os outros de lhes prestar auxílio financeiro para as suas atividades.

De acordo com as autoridades alemães, o grupo estava a planear uma série de ataques. Os alvos eram políticos, refugiados e muçulmanos. O movimento, informa o jornal Welt am Sonntag este domingo estava espalhado por seis estados alemães. O seu objetivo confesso era causar “circunstâncias próximas de uma guerra civil.”

Das rusgas efetuadas, segundo o mesmo jornal, resultou a apreensão de material que poderia ser utilizado para fazer bombas e de uma pistola e uma espingarda caseira. Vários jornais locais referem outro tipo de armamento.

A rede, que contava ainda com mais um membro do grupo que conseguiu fugir, tinha ligações aos “Soldados de Odin”, um bando extremista finlandês fundado em 2015.

Dresden e Erfurt manifestam-se contra a extrema-direita

No sábado, milhares de pessoas saíram às ruas em duas cidades alemãs contra o crescimento da extrema-direita no país.

Na capital da Turíngia, o motivo direto foi a eleição do governador local com o apoio do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Thomas Kemmerich, do Partido Liberal Democrático (FDP) juntou os votos do seu partido aos da extrema-direita e da União Democrata Cristã (CDU), o partido de Angela Merkel, para derrotar Bodo Ramelow, do Die Linke, apoiado pelos social-democratas.

A indignação que esta coligação mereceu fez com que acabasse por se demitir no dia seguinte. Mas as ondas de choque varreram toda a política alemã. A sucessora de Merkel, que já tinha sido designada, acabou por ser vítima indireta desta situação que rompeu o “cordão sanitário” tradicional que impedia coligações dos partidos tradicionais com movimentos deste tipo.

Este sábado milhares de pessoas decidiram sair à rua para passar a mensagem: “sem pactos com fascistas – nunca e em lugar nenhum”. O apelo surgiu da Confederação Alemã de Sindicatos e da plataforma Unteilbar (indivisível) que tem feito inúmeras ações anti-fascistas em todo o país. Os organizadores dizem que estiveram presentes 18 mil pessoas.

Em Dresden o motivo imediato foi outro mas a motivação foi a mesma. Os manifestantes nesta cidade quiseram opor-se à ação organizada pela extrema-direita nesta cidade a propósito dos 75 anos do bombardeamento da cidade.

Por isso, o lema aqui foi “perturbar os nazis”. As cerca de duas mil pessoas presentes foram o dobro do que o manifestantes neonazis conseguiram juntar. E conseguiram obrigá-los a desviar o trajeto que queriam fazer.

A extrema-direita utiliza o bombardeamento de Dresden pelos aliados, durante a Segunda Guerra Mundial, como forma de propaganda do nazismo ou de tentativa de minimizar os seus crimes.

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