As habituais agências de notação consideram que o fraco crescimento no último trimestre (0,1por cento) não chega para fazer face aos compromissos de uma dívida de 120 por cento do PIB. Por isso as taxas das obrigações italianas a 10 anos atingiram o "nível inquietante" de 4,82 por cento, sem haver sinais prometedores de inversão.
Os mercados financeiros que ditam a política económica e financeira da União Europeia iniciaram a semana indispostos devido à instabilidade em Espanha, a mais um fracasso eleitoral da senhora Merkel na Alemanha e aos problemas eleitorais com que Silvio Berlusconi se debate no seu feudo de Milão, que ele promete não deixar transformar "numa ciganópolis governada pela foice e o martelo" mas que revela debilidades na sua popularidade.
Na sequência da indisposição dos mercados, o euro perdeu mais de um por cento, as campainhas de alarme tocaram e as agências de notação entraram em acção.
A qualidade da dívida grega foi rebaixada ao nível da do Zimbabwé e as taxas das obrigações a 10 anos ultrapassaram os 17 por cento. As da Irlanda atingiram o nível recorde de 10,8 por cento. As de Portugal também subiram, apesar dos recentes efeitos psicológicos da terapia troika.
Mas há mais, e pior, segundo os analistas.
A situação em Espanha atirou as taxas a dez anos para as proximidades do "perigoso níve" de seis por cento.
E a Itália é a nova entrada na lista. A Standard and Poor’s informou que o crescimento de 0,1 por cento não é compatível com uma dívida de 120 por cento do PIB e a política alemã para o Euro. E as taxas italianas a 10 anos cresceram para « inquietantes 4,82 por cento».
Tanto mais, considera a Standard and Poor’s, que a situação eleitoral de Berlusconi e as perspectivas de eleições gerais em 2013 não garantem que o governo de Roma aplique com eficácia as já conhecidas "medidas estruturais": cortes de despesas públicas, a "reforma do mercado de trabalho" e os ataques à segurança social.
As vozes que normalmente reflectem o pensamento dos mercados dizem que em Bruxelas e Washington ter-se-ão começado a preparar as malas pretas, os óculos de sol e os fatos cinzentos dos enviados que irão dizer ao governo de Itália o que terá a fazer para impedir que o processo se agrave.
Outras vozes, cada vez mais audíveis, dizem que em função da defesa a todo o custo do "EuroMerkel" e perante a falta de autonomia monetária são cada vez mais os países da União Europeia onde acabará por ser imprescindível renegociar a dívida. Tanto mais que – isto dizem as vozes do pensamento do mercado – a resistência social "é muito maior que a esperada".
Artigo publicado no site do Grupo Parlamentar Europeu do Bloco de Esquerda.