Polícia ataca piquete de greve nos CTT

29 de novembro 2013 - 1:26

O início da greve dos CTT ficou marcado pela violência policial sobre o piquete junto à estação de Cabo Ruivo. O Governo recorreu à polícia de choque para impedir o piquete de greve de cumprir a sua função. Para o líder parlamentar bloquista, também presente no local, o que se passou “não é aceitável numa sociedade democrática”.

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Polícia usou a força para afastar o piquete de greve nos CTT.

Os trabalhadores que participavam no piquete de greve para evitar a saída dos camiões da estação de Cabo Ruivo foram surpreendidos pouco antes da meia noite com a chegada de um impressionante dispositivo policial, incluindo polícia de choque.

Com o uso da força, a polícia conseguiu afastar o piquete da zona de saída dos camiões daquela estação de Lisboa. O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, tal como o líder parlamentar bloquista Pedro Filipe Soares e o deputado comunista Bruno Dias estavam naquela altura junto do piquete e também procuraram resistir à intervenção da polícia para restringir o direito à greve. 

“Foi um momento triste”, declarou Arménio Carlos aos jornalistas. “Há uns que estão do lado do povo, do país e da economia e outros que são colocados contra o povo e os interesses do país”, acrescentou o líder da CGTP instantes depois de ter sido empurrado pela polícia para o outro lado da rua. O dirigente sindical denunciou que a repressão do piquete pôs em causa “o direito à liberdade sindical e ao direito de greve. Os dirigentes e delegados sindicais estão impedidos de cumprir as suas funções”, prosseguiu Arménio Carlos, apontando aos jornalistas o piquete colocado a muitos metros de distância do local onde é suposto exercer o seu direito protegido pela lei.

“Não há nada pior num país que se diz democrático que é ter uma polícia que em vez de salvaguardar os direitos dos cidadãos e assegurar a lei, seja a primeira a violar a lei a mando do Governo”. Arménio Carlos responsabilizou o Governo e a administração pelo sucedido e prometeu que “isto não vai ficar assim”. 

Por seu lado, Pedro Filipe Soares condenou a “brutalidade na força utilizada sobre estes homens e mulheres que estão a defender os seus postos de trabalho num piquete de greve”. “Houve um desrespeito pelos deputados da Assembleia da República, que foram levados à frente duma polícia de choque, o que não é aceitável numa sociedade democrática”, sublinhou ainda o líder parlamentar bloquista. 

Membros do piquete de greve entrevistados pelas televisões chamaram a atenção para a agressividade da polícia esta noite, em comparação com a resposta dada aos seus colegas das forças de segurança que se manifestaram na semana passada, lamentando essa diferença de atitude.

Manifestação nacional às 14h30 ruma ao Ministério das Finanças

A greve geral dos CTT a decorrer esta sexta-feira integra-se num dia de protesto dos trabalhadores e reformados da empresa contra a sua privatização e a destruição do Instituto de Obras Sociais, o seu subsistema de saúde e apoio social. Às 14h30 está marcada uma manifestação nacional na Praça dos Restauradores, com destino ao Ministério das Finanças.

Sobre as razões da greve e o processo de privatização, o líder da CGTP afirmou que a justiça devia dar uma especial atenção ao negócio que está a ser preparado. “Colocaram as ações em bolsa, mas todos sabemos que isto faz parte de uma estratégia negocial para que os grandes acionistas dentro de pouco tempo tomem conta desta empresa que é estratégica para o país e para um serviço público de proximidade com as populações”. 

Para Arménio Carlos, o interesse privado terá o lucro como único objetivo e quem sairá prejudicado com a privatização são os utentes e o país. “Estamos mais uma vez a assistir a um crime económico e simultaneamente a ter a polícia do lado dos criminosos”, concluiu o líder sindical.

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