Depois de na primeira temporada ter contado a história da ocupação do palacete que hoje serve de sede ao Bloco de Esquerda, o podcast “Palmeiras, um Palácio em Revolução”, realizado por Joana Louçã, dá um salto de uma década para a segunda metade dos anos 1980, quando a sede do Partido Socialista Revolucionário se transforma nas noites de sexta-feira no Bar das Palmeiras, centro da campanha antimilitarista do movimento Tropa Não!, que atraía músicos em concertos punk e rock e era ponto de encontro de pessoas de esquerda de várias correntes, partidos, idades, profissões e origens.
Ao longo de dez episódios, a segunda temporada ouve depoimentos de 44 pessoas. Tó Trips, José Luís Peixoto, Sandra Baptista, João Morais, João Pedro Almendra, Luís Osório, Ricardo Alexandre, Paulo Pena, Pedro Carraca e Luís Varatojo são alguns dos entrevistados.
Ao Esquerda.net, Joana Louçã diz que o que a surpreendeu mais nos relatos da época foi, por um lado, “a implantação cultural que atingiu a campanha Tropa Não, em que os próprios músicos tornaram-se uma espécie de ativistas desse movimento, não só a tocar ocasionalmente nos concertos mas também a participar nas reuniões, colando cartazes, etc.”
A autora também não contava com “a naturalidade e frequência com que várias pessoas me descreveram a presença visível de skinheads na noite de Lisboa, e os cruzamentos que havia entre os grupos, as “tribos” como tantas pessoas referem, a violência que parecia ser tão frequente quando havia esses encontros, e a violência latente devido à presença de skins, que parecia ser permanente não só em Lisboa”. O assassinato neonazi do dirigente do PSR José Carvalho, em Outubro de 1989, no beco da sede do partido durante um concerto no Bar das Palmeiras, é o tema que percorre alguns dos episódios desta segunda temporada, a par da vida noturna da Lisboa dos anos 1980 nas memórias dos músicos e frequentadores do bar das Palmeiras entrevistados.
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