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Plataforma do Cinema denuncia a "absoluta irrelevância política” do Ministério da Cultura

A Plataforma que representa várias associações e festivais de cinema denuncia a inação do ministério face à "situação calamitosa" viviva pelo setor.
Graça Fonseca numa audição na Assembleia da República.
Graça Fonseca numa audição na Assembleia da República. Fotografia de José Sena Goulão/Lusa.

Em comunicado divulgado a 26 de abril, a Plataforma do Cinema fez saber que reuniu com o secretário de Estado o Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, e com o Presidente do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), Luís Chaby Vaz, no passado dia 20, tendo apresentado três propostas urgentes.

As medidas apresentadas pela Plataforma para dar resposta “à situação calamitosa” que o setor vive na sequência da pandemia de Covid-19, com salas fechadas e “previsão de fraca afluência de público” quando puderem reabrir, bem como os “milhares de profissionais sem trabalho” na sequência de produções “interrompidas e adiadas sine die”, foram, porém, rejeitadas.

Em cima da mesa estava a “criação imediata de um fundo de emergência para os trabalhadores do sector, à semelhança do que já está a ser feito noutros países (Espanha, França, Reino Unido)”, a “criação de um plano de contingência a dois anos para as diversas entidades que operam no sector que amortize os prejuízos da suspensão das actividades previstas até que estas possam ser retomadas” e o “incremento do papel da RTP junto do cinema, lembrando que ainda há uns anos estava em vigor um protocolo RTP/ICA que garantia um complemento financeiro automático ao montante atribuído pelo ICA a cada projecto apoiado, ficando a televisão pública com direitos de exibição do filme como contrapartida”.

Porém, o comunicado enviado à comunicação social esclarece que Nuno Artur Silva “rejeitou a totalidade das propostas apresentadas pela Plataforma, alegando que não podem existir medidas de apoio a fundo perdido, que as questões dos trabalhadores da cultura devem ser resolvidas pelos ministérios centrais e que as medidas de apoio ao setor se irão cingir à flexibilização das regras administrativas no ICA”.

“A Plataforma do Cinema não percebe que futuro é esse de que falam Ministra e Secretário de Estado. É revelador de uma preocupante falta de lucidez que se pondere a discussão de um novo plano estratégico no final do ano, enquanto se testemunha de braços cruzados a expectável falência de produtoras, distribuidores, exibidores independentes e outras entidades do sector. O efeito em cadeia levará a que o dinheiro destinado a projectos apoiados pelo ICA seja usado em desespero para a sobrevivência de profissionais que se encontram totalmente desamparados e para a sobrevivência das estruturas”, lê-se no comunicado.

A Plataforma do Cinema vai mais longe nas críticas e denuncia a “absoluta irrelevância política” do ministério de Graça Fonseca. “Os atuais ocupantes do Palácio da Ajuda não sentem fazer parte do setor que tutelam, não o conhecem e nada farão para o preservar”, conclui o comunicado da Plataforma do Cinema, assinado pela Agência da Curta Metragem, Apordoc – Associação pelo Documentário, APR – Associação Portuguesa de Realizadores, Casa da Animação, Curtas Vila do Conde, Doclisboa, IndieLisboa, Monstra – Festival de Animação de Lisboa, PCIA – Produtores de Cinema Independente Associados, Porto/Post/Doc, Portugal Film e Queer Lisboa.

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