À margem do IX Seminário Violência Doméstica, realizado esta sexta-feira nas instalações da Polícia Judiciária (PJ), o diretor da PJ alertou para o "fenómeno crescentemente preocupante" da radicalização digital de jovens, acompanhada por esta polícia no âmbito de investigações sobre terrorismo e discurso de ódio.
"Temos vindo a detetar um crescendo de um radicalismo e de uma violência para com as mulheres, sobretudo em camadas jovens", explicou Luís Neves aos jornalistas, citado pelo Diário de Notícias.
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Para este aumento da misoginia entre os rapazes mais jovens tem contribuído a exposição a conteúdos online com esse teor, refere o diretor da PJ. “É de todos conhecido que há até jogos online em que o alvo é violar mulheres, abater mulheres, perseguir mulheres. Isto é absolutamente inqualificável, sobretudo quando estamos a falar de gente jovem que se autorradicaliza nesta temática da supremacia do género ou do sexo masculino perante o sexo feminino. Isto é absolutamente intolerável, há que combater tudo isto com uma outra narrativa e combater criminalmente estas atividades”, prosseguiu.
Esse aumento do radicalismo traduz-se também no aumento dos crimes sexuais cometidos nesta faixa etária. Luís Neves contou que “em pouco menos de dez dias, em três situações distintas, estamos a falar de três vítimas distintas, detivemos três jovens com agressões sexuais - estamos a falar de violações, um dos crimes de agressões sexuais mais graves - de gente muito jovem, cometidos em situações de proximidade”.
Para Luís Neves, “isso são sinais que a todos deve preocupar, que à Polícia Judiciária preocupa e por isso estamos muito atentos a esta temática. É absolutamente intolerável ter as mulheres como alvo a abater", concluiu o diretor da PJ, prometendo “máximo empenho” por parte desta polícia “para debelar este fenómeno que, repito, é crescentemente preocupante”.
Violência doméstica: PGR quer afastar agressor de casa, não a vítima
Na mesma conferência, relata o Diário de Notícias, o Procurador Geral da República (PGR) diz que está a procurar sensibilizar o poder político e judicial para uma “mudança de paradigma”. Amadeu Guerra defende que em casos de violência doméstica, "o agressor é quem deve abandonar a casa da morada da família e não a vítima".
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Na opinião do PGR, "não faz sentido a situação atual" em que o mecanismo de proteção das vítimas passa por encontrar casas-abrigo onde possam estar a salvo do agressor em moradas que este desconhece, muitas vezes acompanhadas dos filhos. São situações que têm um prazo de seis meses, muitas vezes excedido por causa da fragilidade económica e do desenraizamento provocado pela situação, agravado nos últimos anos pelo aumento dos preços da habitação.
Em 2023, 82% das condenações por violência doméstica resultaram em penas suspensas, o que contribui para a sensação de desproteção por parte das vítimas.