O Citizen Lab é um laboratório da Munk School of Global Affairs & Public Policy da Universidade de Toronto. Na passada terça-feira divulgou uma investigação que durou três anos sobre um grupo de “piratas informáticos” a soldo, que denominou Dark Basin, cujos atos de espionagem atingiram “milhares de indivíduos e centenas de instituições em seis continentes”.
Para além da espionagem comercial, a investigação concluiu que um dos grupos a que o Dark Basin dedicava especial atenção eram várias ONG norte-americanas, incluindo as organizações que trabalhavam na campanha #ExxonKnew. Esta, tinha como objetivo denunciar que a empresa petrolífera ExxonMobil tinha conhecimento do perigo das alterações climáticas mas escondeu essas informações durante décadas. O 350.org, o Climate Investigations Center, a Greenpeace, a Conservation Law Foundation e a Union of Concerned Scientists também estavam entre os espiados.
Este grupo foi igualmente responsável pela pilhagem de informação às organizações que defendem a neutralidade da internet e que tinha sido já denunciado pela Electronic Frontier Foundation em setembro de 2017.
A investigação não se fica por aqui e “liga o Dark Basin com um alto grau de certeza a uma empresa indiana, a BellTroX InfoTech Services. O seu diretor, aliás, foi já acusado em 2015 num caso semelhante na Califórnia.
A informação recolhida, esclarecem ainda, foi partilhada com o Departamento de Justiça dos EUA.
Foram encontrados 28 mil endereços de internet criados com o intuito de roubar informações. O Citizen Lab esclarece que utilizou “técnicas de investigação de código aberto” para o fazer. Grande parte dos alvos foram informados acerca das ações de espionagem e passaram a colaborar na investigação. Também “dezenas de jornalistas em múltiplos países” foram visados e o Citizen Lab trabalhou com eles no caso. Colaboraram igualmente muitos outros dos alvos da espionagem.