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Peru: Candidato de esquerda vence primeira volta

Pedro Castillo, sindicalista e professor, foi a surpresa da eleição ao ficar à frente nas zonas mais pobres do país. Três candidatos de direita disputam a ida à segunda volta, com Keiko Fujimori em vantagem nas projeções.
Pedro Castillo quando ia votar nas eleições de domingo no Peru. Foto de FRANCISCO VIGO/EPA/Lusa.
Pedro Castillo quando ia votar nas eleições de domingo no Peru. Foto de FRANCISCO VIGO/EPA/Lusa.

De acordo com as primeiras projeções conhecidas sobre as eleições presidenciais do passado domingo no Peru, Pedro Castillo, o candidato do partido de esquerda Peru Livre, fica à frente na primeira volta com cerca de 18% dos votos. Esta votação revela-se uma surpresa e marca uma divisão entre as zonas rurais e a capital do país. Em Lima, que concentra cerca de um quarto da população peruana, este professor e sindicalista tem muito menos votos. As sondagens pré-eleitorais atribuíam-lhe apenas 5% da votação.

A ele se juntará na segunda volta, a 6 de junho, um de três candidatos: o economista liberal Hernando de Soto, do Avança País, e o empresário Rafael Lopez Aliaga, da Renovação Popular, de extrema-direita, enfrentam Keiko Fujimori, a filha do ex-presidente do país entre 1990 e 2000 e que é candidata pela terceira vez ao cargo. Com 70% dos votos contados, Keiko surge ligeiramente à frente, com 13%, seguida por de Soto com 12,7% e Aliaga com 12,4%.

Quem conseguir ficar à frente poderá beneficiar do voto útil conservador contra um candidato apresentado como sendo de esquerda radical.

Marxista, mariatiguista e... profundamente conservador

Pedro Castillo Terrones tem 51 anos. É professor primário em Puña, na província de Chota, Cajamarca, uma zona rural e pobre. Nas primeiras declarações aos jornalistas depois de se saber que estava à frente nas contagens disse que “amanhã será um novo dia, não é uma mudança imediata, é uma nova luta. A grande aliança deve fazer-se com o povo peruano".

A sua participação política começou no Peru Possível, de centro esquerda, pelo qual foi candidato local em 2002 e dirigente regional entre 2005 e 2017, altura em que este partido deixou de existir. Em 2017, o seu nome torna-se conhecido como dirigente de uma greve docente e é depois disso que se torna candidato presidencial pelo Peru Livre.

Este partido, fundado em 2007 enquanto movimento regional e que depois se fundiu com o Partido Político Nacional Peru Libertário, define-se como “marxista-leninista-mariateguista” e defende uma “economia popular de mercado” com um “Estado interventivo, planificador, empresário, protetor, inovador e regulador de mercado”.

Durante a campanha eleitoral, Castillo defendeu a criação de uma assembleia constituinte que redija uma Constituição que “tenha a cor, o cheiro, o sabor do povo”. Também propôs a nacionalização do setor petrolífero, mineiro, entre outros.

Tanto o partido quanto o seu candidato presidencial são contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contra o aborto e a eutanásia, contra o ensino de questões de género na escola, mostrando-se profundamente conservadores.

Nas eleições parlamentares de janeiro de 2020, o Peru Possível teve apenas 3,4% dos votos e não conseguiu eleger nenhum deputado.

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