Parlamento

“Perceções é o que podemos ter no museu, no SNS temos a dureza dos factos”

21 de janeiro 2026 - 18:13

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Fabian Figueiredo questionou Montenegro se a sua neutralidade entre Seguro e Ventura se deve a estar à espera dos votos do Chega para aprovar o pacote laboral.

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Fabian Figueiredo
Fabian Figueiredo no debate com o primeiro-ministro esta quarta-feira. Imagem ARTV

O Parlamento teve esta quarta-feira o primeiro debate quinzenal após a primeira volta das eleições presidenciais. E como seria de esperar, Luís Montenegro foi confrontado pelas várias bancadas com a posição de neutralidade que assumiu para o PSD na segunda volta que irá opor a 8 de fevereiro António José Seguro e André Ventura.

Na sua intervenção, Fabian Figueiredo lembrou as palavras da ministra do Trabalho, que horas antes dissera que o pacote laboral vai avançar para o Parlamento mesmo que não haja acordo na concertação social. E questionou o primeiro-ministro se “o seu problema de tomar uma posição na segunda volta entre um democrata e um autoritário é porque está à espera dos votos do Chega para aqui no Parlamento impor o pacote laboral”. Uma questão que Montenegro deixou sem resposta no resto do debate.

Antes disso, o deputado do Bloco invocou o exemplo da atribulada viagem da circum-navegação de Fernão de Magalhães, cujos erros podem ser desculpados pela falta de mapas das zonas onde navegavam. A comparação foi com a postura do primeiro-ministro na política de saúde, em que revela um “otimismo problemático” ao dizer que os problemas na saúde “são perceções”, embora, ao contrário de Fernão de Magalhães, tenha na mão todos os dados que lhe dizem o contrário.

“Perceções é o que podemos ter no museu de arte moderna, no SNS temos a dureza dos factos com que os utentes se confrontam todos os dias”, contrapôs Fabian Figueiredo, dando os exemplos das urgências fechadas, os atrasos no socorro das ambulâncias ou os profissionais exaustos. E em seguida desafiou Montenegro a “abandonar um plano que mete água todos os dias” e a deixar cair a ministra que o tem protagonizado.

Na resposta, o primeiro-ministro afirmou que tinha sido mal interpretado: “nunca disse que os problemas eram uma perceção, mas que a partir dos problemas quer-se criar a perceção de que todo o SNS é um caos, quando há muita coisa que funciona bem”, acrescentando que há números favoráveis no que diz respeito ao tempo de resposta aos utentes ou ao aumento do número de chamadas atendidas pela linha SNS 24.

Mantendo a abordagem náutica desta parte do debate, Montenegro concluiu que o rumo é para manter e Fabian criticou-o por continuar a navegar à vista.
 

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