A confirmar-se esta intenção do Ministério de Álvaro Santos Pereira, noticiada este sábado pelo Jornal de Notícias, os utentes do Metro de Lisboa vão pagar mais 16,45 euros em menos de um ano, contando com os recentes aumentos das tarifas dos transportes.
O grupo de trabalho que o Governo nomeou para estudar a reforma do sistema de transportes já entregou o relatório final ao Governo e a conclusão mais importante foi mesmo a desistência do processo de simplificação tarifária, que "face à sua extrema complexidade", o grupo não foi capaz de encontrar uma solução. Pelo contrário, o documento a que a Lusa teve acesso confirma que "foi reconhecida a sua inviabilidade", pelo menos no prazo do mandato do atual Governo.
Assim, em vez da criação do Passe Cidade levar à eliminação dos passes próprios do Metro e da Carris - empresas com fusão à vista - o grupo propõe agora a "eliminação de títulos de venda reduzida" e diz que só no caso da CO "foi possível "consensualizar a introdução de um novo zonamento tarifário que permita eliminar as incongruências do atual sistema". Na prática, passa a existir um "zonamento fixo", em que o passageiro "paga de acordo com o número de zonas em que circula", independentemente da linha, percurso ou distância, em vez de pagar apenas a distância que percorre como acontece hoje.
O acesso aos transportes públicos irá passar a ser dificultado para os jovens e idosos, que atualmente beneficiam do desconto de 50%. Agora, estes utentes terão de comprovar as suas dificuldades económicas ao balcão do Metro e da Carris e só quem apresente rendimentos muito baixos irá beneficiar de tarifas sociais. O plano do Governo prevê ainda que os utentes paguem de acordo com os rendimentos que declaram ao fisco, com a criação de novos escalões, com preço diferenciado. Esta medida poderá trazer aumentos ainda maiores no preço dos bilhetes simples.
Segundo a agência Lusa, na Carris, é proposto o fim de 16 carreiras (10, 49, 79, 777, 790, 797, 18E, 203, 205 e 208 da rede urbana e 21, 25, 76, 745, 764 e 799 da rede suburbana) e 19 alterações do serviço que incluem encurtamento do percurso ou alterações ao nível das ruas abrangidas (12, 30, 44, 70, 701, 703, 706, 709, 718, 732 e 794 na rede urbana e 22, 28, 31, 36, 714, 726, 202 e 210 na rede suburbana).
E insiste no fim do elétrico 18, uma das poucas carreiras ainda em funcionamento nas colinas lisboetas, que serve a zona da Ajuda e Alcântara, ligando-as à baixa de Lisboa. O desaparecimento deste símbolo da cidade não trará poupanças acrescidas à empresa, mas abre a porta ao progressivo abandono deste meio de transporte mais ecológico por parte da Carris. Muitos utentes revoltados com a intenção da empresa lembram que já a derrotaram no passado quando tentou acabar com esta carreira e lançaram uma petição que pode ser subscrita aqui.
Passe do Metro de Lisboa pode aumentar mais 50%
14 de janeiro 2012 - 13:34
O Governo prepara-se para aumentar o preço do passe social do Metro de Lisboa de 23,90 para 36 euros, com o objetivo de pôr os utentes lisboetas a pagar o mesmo preço do Andante para o Metro do Porto. A simplificação tarifária prometida ficará na gaveta e o Governo insiste em acabar com a histórica carreira do elétrico 18.
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A solução do Governo é ter um país com menos transportes públicos e mais caros. Foto Paulete Matos