Parlamento Europeu discute diminuição das despesas com eurodeputados

24 de outubro 2011 - 14:48

O Parlamento Europeu vai discutir, depois de amanhã, uma proposta para reduzir as despesas gerais dos eurodeputados. A emenda, que nasceu de um repto de Miguel Portas, tem merecido forte oposição do presidente do Parlamento Europeu.

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A proposta nasceu de um repto de Miguel Portas, Lajos Bokros (Conservadores e Reformistas Europeus) e Helga Truppel (Verdes), coordenadores da Comissão de Orçamento em nome dos respectivos grupos políticos, depois da proposta original do eurodeputado do Bloco, de um corte de 25%, ter sido rejeitada pela comissão da especialidade.

Como o mínimo legal de 40 assinaturas para apresentação da emenda em plenário foi alcançado, a discussão e votação deverá ter lugar na quarta-feira. Percebendo o apoio que a nova proposta tem conseguido obter entre as diversas bancadas, e refugiando-se numa duvidosa interpretação do regimento, o presidente do Parlamento Europeu tem tentado impedir a discussão da nova proposta de 5%, defendendo que é o corte de 25% que deve ir a votos. Ainda hoje, ou terça-feira, esta disputa ficará resolvida e será conhecida a versão que irá a votos no plenário de Estrasburgo.

No mesmo ano em que o Parlamento Europeu diminui as suas despesas de funcionamento, nomeadamente com um corte de 21 milhões de euros em serviços de interpretação e tradução, a estrutura de rendimentos dos deputados mantém-se imune à austeridade que se vive um pouco por toda a Europa. "Para quem diariamente sofre os efeitos das políticas de austeridade, esta posição não é justa nem é compreensível", resume Miguel Portas

A emenda tem a assinatura de deputados de vários países e agrupamentos políticos. Os socialistas europeus e o Partido Popular Europeu, os dois maiores grupos, procuraram evitar que os seus membros subscrevessem a proposta. Entre os eurodeputados portugueses, apenas os representantes do Bloco de Esquerda, Miguel Portas e Marisa Matias, e o independente Rui Tavares assinaram a emenda que defende a diminuição das despesas com os eurodeputados.