Parlamento da Ucrânia rejeita referendo nacional por mais autonomia

07 de maio 2014 - 22:46

Os deputados do Partido Comunista da Ucrânia foram impedidos de participar na sessão parlamentar e na votação, depois de terem considerado que a operação "anti-terror" de Kiev é um "assassinato em massa".

PARTILHAR
Envolto numa enorme bandeira nacional, o Parlamento da Ucrânia rejeitou a realização de referendo por autonomia – foto retirada de Opera Mundi

O Parlamento ucraniano rejeitou nesta terça-feira (06/05) a proposta de realizar um referendo nacional que daria mais autonomia às regiões do país. A consulta seria realizada em conjunto com as eleições presidenciais, no dia 25 de maio, e atenderia a uma das principais reivindicações dos manifestantes anti-Kiev que protestam no sudeste e no leste do país desde a deposição do presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro.

"Atualmente, não temos como garantir a segurança nem dos membros das comissões eleitorais, nem dos próprios eleitores", disse ao Russia Today uma das lideranças parlamentares do partido “Pátria”, um dos principais partidos que formam a coligação do governo interino ucraniano. De acordo com ele, por motivos de segurança o plebiscito foi rejeitado, conseguindo o apoio de apenas 154 dos 226 parlamentares necessários.

Também hoje, os deputados do Partido Comunista da Ucrânia foram impedidos de entrar no Parlamento e participar na sessão plenária. Os parlamentares foram barrados após se manifestarem contra a realização da sessão à porta fechada, além de criticar a atuação do governo central de Kiev na condução dos confrontos. O líder da bancada do PC da Ucrânia, Petro Symonekno, chamou à auto-intitulada "operação anti-terrorista" levada a cabo no sudeste do país de "assassinato em massa de civis" e pediu que as autoridades investiguem os acontecimentos de Odessa, onde 46 pessoas morreram num incêndio na sede sindical.

A ex-primeira-ministra e candidata à presidência da Ucrânia, Iulia Tymoshenko, disse hoje que se não ganhar as eleições de 25 de maio teria que liderar outra revolução

"A tragédia de Odessa mais uma vez confirma a natureza fascista, anti-povo e ditatorial do atual governo", declarou a bancada do PC da Ucrânia.

O líder do Partido Radical e candidato presidencial, Oleg Lyashko, classificou de "momento histórico" a ausência forçada dos comunistas. "Espero que muito em breve esse partido traiçoeiro seja totalmente banido", escreveu o parlamentar na sua conta no Facebook.

Apesar da decisão do Parlamento de Kiev, um referendo por mais autonomia já está marcado para o próximo domingo (11/05) na região de Donetsk, palco de uma série de protestos dos grupos pró-russos. Denis Pushilin, chefe da auto-proclamada República Popular de Donetsk, espera um comparecimento de 60% dos eleitores e garantiu que o pleito vai acontecer de qualquer jeito, "inclusive no meio de combates".

Candidata Iulia Tymoshenko

[caption align="left"]Iulia Timochenko com Angela Merkel Iulia Timochenko com Angela Merkel[/caption]

A ex-primeira-ministra e candidata à presidência da Ucrânia, Iulia Tymoshenko, disse hoje que se não ganhar as eleições de 25 de maio teria que liderar outra revolução.

"Eu não quero carregar a responsabilidade de novo de liderar uma revolução. Mas se o país eleger outro presidente, e neste caso só tenho um oponente, acho que teremos que ir para uma terceira onda revolucionária", afirmou Tymoshenko. E acrescentou: "Porque não vejo nenhuma oportunidade de nenhuma mudança. Conheço toda essa gente".

A ex-primeira-ministra referia-se ao seu principal rival, o oligarca Petro Poroshenko, conhecido como "o rei do chocolate" pelas suas empresas de bombons e doces, que lidera as sondagens.

Nova ofensiva em Mariupol

Após a ofensiva lançada pelas forças armadas de Kiev contra as cidades de Slaviansk e Kramatorsk, os grupos pró-russos denunciaram hoje que uma outra operação foi iniciada, desta vez na cidade litoral de Mariupol, na região de Donetsk.

"Acabam de chegar informações sobre um ataque em massa contra os nossos postos de controle localizados no oeste da cidade. Pelos vistos, começou o ataque", disse um porta-voz dos opositores à imprensa russa. Segundo testemunhas, há vítimas.

O presidente interino da Ucrânia, Aleksandr Turchinov, declarou hoje a mobilização parcial a fim de prosseguir a ofensiva contra as fortificações dos pró-russos. Turchinov nomeou também o novo chefe do Exército, o general Anatoli Pushniakov, veterano da guerra do Afeganistão no exército soviético.

Todos estes passos mostram que Kiev intensificará a ofensiva militar contra Slaviansk e Kramatorsk, redutos pró-russos da região de Donetsk, cujos arredores ontem foram palco de sangrentos combates. De acordo com o Ministério do Interior, quatro soldados e 30 milicianos morreram.

Artigo publicado em Opera Mundi

Iulia Timochenko com Angela Merkel
Termos relacionados: InternacionalUcrânia