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Parceiros de Merkel perdem maioria absoluta na Baviera

As projeções apontam uma queda de 12 pontos percentuais para a CSU e de 10 pontos para o SPD, que passa de segunda a quinta força política mais votada. Verdes duplicam votação e são o segundo maior partido. Extrema-direita da AfD entra no parlamento com 11%.
Markus Söeder na noite eleitoral em que viu a sua CSU perder 12 pontos percentuais e uma maioria absoluta.

De acordo com as projeções divulgadas após o encerramento das urnas na Baviera, a CSU — parceira bávara da CDU de Angela Merkel — perde a maioria absoluta e cai mais de doze pontos percentuais, obtendo 35,5% dos votos.

Horst Seehofer, líder da CSU e ministro do Interior no governo federal, afirmou que apesar da quebra eleitoral, o seu partido obteve “um mandato claro para governar”. Seehofer aproveitou ainda para negar que o resultado possa ditar a sua saída do governo e quanto às causas da derrota, afirmou ser preciso esperar umas semanas para as identificar em detalhe.

O candidato da CSU e atual líder do governo regional, Markus Söder, também disse que o resultado lhe dá um mandato para continuar a governar, embora ainda não saiba com quem. Em declarações à ARD, Söder comprometeu-se a dialogar com todos os partidos com vista a formar maioria, à exceção da AfD.

Quanto à possibilidade de uma aliança com os Verdes, o candidato da CSU sublinhou que o partido co-liderado por Katharina Schulze está “muito distante de nós no que toca a temas políticos”. No entanto, a CSU perdeu mais votos para os Verdes do que para a extrema-direita da AfD, que se estreia nesta eleição com 11% dos votos.

Os Verdes foram os grandes vencedores da noite eleitoral, ao conquistarem o lugar de segundo partido bávaro, com cerca de 18.5% dos votos, segundo indicam as projeções. Katharina Schulze falou num “resultado histórico”, ao duplicar a votação em relação às eleições de 2013 e concluiu que “este resultado já mudou a Baviera”.

Segundo analistas citados pela Deutsche Welle, os Verdes conseguiram captar quase tantos votos perdidos pela CSU (200 mil) como os perdidos pelo SPD (210 mil). A razão principal, apontam, foi a campanha da CSU destinada a atrair o eleitorado da extrema-direita, uma escolha que “afugentou” muito do seu próprio eleitorado. Em junho passado, o líder da CSU foi protagonista de um braço de ferro no governo com Angela Merkel, que passou pela ameaça de demissão. Seehofer acabou por vencer o braço de ferro e instalar centros de detenção de migrantes na Baviera, destinados a repatriá-los logo à chegada à Alemanha.

Do lado dos derrotados aparece o SPD, que obtém à volta de 10% dos votos, quase metade do que conseguiu em 2013. Um resultado “amargo”, resumiu a presidente do partido, Andrea Nahles, apontando responsabilidades a Berlim, onde o SPD integra o governo federal liderado pela CDU/CSU. “Seguramente que uma das razões para o fraco desempenho do SPD é o fraco desempenho da grande coligação”, sublinhou em reação à derrota eleitoral.

Também a esquerda do Die Linke não tem razões para festejar este domingo e irá continuar fora do parlamento bávaro, ao alcançar cerca de 3.5%, abaixo da barreira dos 5% que dá acesso à eleição de deputados.

No limiar da barreira dos 5%, segundo as projeções, estão os liberais do FDP, que poderiam assim regressar ao parlamento. Os centristas do FW sobem de 9% para 11% e disputam com a AfD o lugar de terceira força política no parlamento.

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