A construção da Autoestrada do Marão, entre Amarante e Vila Real e que incluiu um túnel com 5,6 quilómetros, foi suspensa a 27 de junho de 2011.
O presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, tem sido uma das vozes que mais tem reivindicado o reinício dos trabalhos.
Hoje, em comunicado, o dirigente alertou para o facto desta paragem, nas suas contas, representar um “agravamento de 60 por cento do custo final” da obra, justificando este acréscimo com a desmontagem de estaleiros e a retirada de máquinas do local.
Esta autoestrada, que inclui o maior túnel rodoviário da Península Ibérica, tinha um custo inicial estimado de 350 milhões de euros, e, em pico de obra chegou a dar emprego a 1.400 trabalhadores e a envolver cerca de 90 pequenas empresas.
“É uma vergonha nacional, que levou ao encerramento de empresas, à destruição de postos de trabalho diretos. Muitos trabalhadores tiveram que emigrar, outros tiveram que recorrer ao banco alimentar e não há dinheiro que pague esta situação”, sublinhou.
O dirigente ironizou com a ideia de o Governo lançar um peditório para angariar verbas para o reinício da obra.
“Caso se verificasse que a resolução do problema passasse por um peditório, o sindicato era o primeiro a colaborar para evitar os problemas económicos, financeiros, sociais e laborais”, frisou ainda.
Só que, para esta organização, o problema não é o dinheiro até porque, segundo disse, o “Estado, por cada mês que passa está a libertar, dois milhões de euros para a obra, o que dava para matar a fome a muitos portugueses fragilizados económica e financeiramente”.
Devido a esta paragem de quase dois anos, o sindicato acusou o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, de “falta de capacidade negocial” e exige mesmo que o governante “dê a cara” e explique todo este processo.
Na segunda-feira, um jornal nacional anunciou que o Governo já teria tomado a decisão de fazer o resgate da obra. No entanto, contactada pela Lusa, fonte do ministério da Economia referiu apenas que este é um dos cenários possíveis.
Para o Sindicato da Construção, o resgate da empreitada seria uma “iniciativa importante e aplaudida” se ela representasse a “reabertura imediata dos túneis”.
A 27 de junho de 2011 e pela terceira vez desde o início da empreitada no verão de 2009, as obras nesta autoestrada foram suspensas.
Primeiro por causa de duas providências cautelares interpostas pela empresa Água do Marão e depois alegadamente devido a falta de financiamento.
O consórcio financiador (composto por seis bancos internacionais) terá suspendido o financiamento do projeto, não permitindo que a concessionária dispusesse dos fundos necessários para fazer face aos pagamentos devidos ao empreiteiro nos termos do contrato de empreitada.
Paragem das obras no Túnel do Marão agrava custo final em 60%, denuncia sindicato
02 de abril 2013 - 17:17
O Sindicato da Construção de Portugal alertou esta terça-feira para um agravamento de 60% do custo final da Autoestrada do Marão devido à paragem dos trabalhos que levou à desmontagem de estaleiros e retirada de máquinas. Segundo o sindicato cada mês, em que as obras estão paradas, custa 2 milhões de euros ao Estado.
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Esta autoestrada, que inclui o maior túnel rodoviário da Península Ibérica, tinha um custo inicial estimado de 350 milhões de euros, e, em pico de obra chegou a dar emprego a 1.400 trabalhadores e a envolver cerca de 90 pequenas empresas.