Paragem das obras no Túnel do Marão agrava custo final em 60%, denuncia sindicato

02 de abril 2013 - 17:17

O Sindicato da Construção de Portugal alertou esta terça-feira para um agravamento de 60% do custo final da Autoestrada do Marão devido à paragem dos trabalhos que levou à desmontagem de estaleiros e retirada de máquinas. Segundo o sindicato cada mês, em que as obras estão paradas, custa 2 milhões de euros ao Estado.

PARTILHAR
Esta autoestrada, que inclui o maior túnel rodoviário da Península Ibérica, tinha um custo inicial estimado de 350 milhões de euros, e, em pico de obra chegou a dar emprego a 1.400 trabalhadores e a envolver cerca de 90 pequenas empresas.

A construção da Autoestrada do Marão, entre Amarante e Vila Real e que incluiu um túnel com 5,6 quilómetros, foi suspensa a 27 de junho de 2011.



O presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, tem sido uma das vozes que mais tem reivindicado o reinício dos trabalhos.



Hoje, em comunicado, o dirigente alertou para o facto desta paragem, nas suas contas, representar um “agravamento de 60 por cento do custo final” da obra, justificando este acréscimo com a desmontagem de estaleiros e a retirada de máquinas do local.



Esta autoestrada, que inclui o maior túnel rodoviário da Península Ibérica, tinha um custo inicial estimado de 350 milhões de euros, e, em pico de obra chegou a dar emprego a 1.400 trabalhadores e a envolver cerca de 90 pequenas empresas.



“É uma vergonha nacional, que levou ao encerramento de empresas, à destruição de postos de trabalho diretos. Muitos trabalhadores tiveram que emigrar, outros tiveram que recorrer ao banco alimentar e não há dinheiro que pague esta situação”, sublinhou.



O dirigente ironizou com a ideia de o Governo lançar um peditório para angariar verbas para o reinício da obra.



“Caso se verificasse que a resolução do problema passasse por um peditório, o sindicato era o primeiro a colaborar para evitar os problemas económicos, financeiros, sociais e laborais”, frisou ainda.



Só que, para esta organização, o problema não é o dinheiro até porque, segundo disse, o “Estado, por cada mês que passa está a libertar, dois milhões de euros para a obra, o que dava para matar a fome a muitos portugueses fragilizados económica e financeiramente”.



Devido a esta paragem de quase dois anos, o sindicato acusou o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, de “falta de capacidade negocial” e exige mesmo que o governante “dê a cara” e explique todo este processo.



Na segunda-feira, um jornal nacional anunciou que o Governo já teria tomado a decisão de fazer o resgate da obra. No entanto, contactada pela Lusa, fonte do ministério da Economia referiu apenas que este é um dos cenários possíveis.



Para o Sindicato da Construção, o resgate da empreitada seria uma “iniciativa importante e aplaudida” se ela representasse a “reabertura imediata dos túneis”.



A 27 de junho de 2011 e pela terceira vez desde o início da empreitada no verão de 2009, as obras nesta autoestrada foram suspensas.



Primeiro por causa de duas providências cautelares interpostas pela empresa Água do Marão e depois alegadamente devido a falta de financiamento.



O consórcio financiador (composto por seis bancos internacionais) terá suspendido o financiamento do projeto, não permitindo que a concessionária dispusesse dos fundos necessários para fazer face aos pagamentos devidos ao empreiteiro nos termos do contrato de empreitada.