Papa acusa Israel de terrorismo, “pausa humanitária” nos combates aprovada

22 de novembro 2023 - 11:40

Francisco recebeu comitivas de familiares de palestinianos presos e de israelitas reféns. O governo de Israel aceitou entretanto a proposta de cessar-fogo. Mas Netanyahu promete que depois a guerra irá continuar.

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Papa Francisco esta manhã na audiência geral na Praça de São Pedro. Foto de ALESSANDRO DI MEO/EPA/Lusa.
Papa Francisco esta manhã na audiência geral na Praça de São Pedro. Foto de ALESSANDRO DI MEO/EPA/Lusa.

Na sequência de uma iniciativa em que recebeu separadamente comitivas de israelitas que têm familiares sequestrados pelo Hamas e de palestinianos que têm familiares presos por Israel, o Papa Francisco declarou que estas pessoas “sofrem muito e ouvi como sofrem uns e outros. As guerras fazem isso, mas aqui fomos além das guerras. Isto não é guerrear, isto é terrorismo.”

As declarações dadas na Praça de São Pedro foram feitas já depois de ter sido conhecido que o governo de Israel e o Hamas tinham concordado como uma “pausa humanitária” nos combates de pelo menos quatro dias. Em troca, o movimento fundamentalista islâmico libertará 50 dos cerca de 240 reféns israelitas e Israel libertará pelo menos 150 palestinianos presos em Israel.

Ao que é conhecido, as libertações do Hamas serão divididas por cada um dos dias da pausa no combate e os reféns em causa são trinta menores e oito mães e mais doze outras mulheres, de acordo com fonte militar citada pelo jornal israelita Haaretz. No caso de Israel, o compromisso é também dar prioridade à libertação de menores e de mulheres, sendo que os condenados por homicídio serão excluídos do acordo.

Está ainda previsto que o cessar-fogo continue por mais um dia por cada outros dez reféns israelitas que seja libertados e que se possam libertar mais 150 presos palestinianos se forem libertados mais 50 reféns israelitas.

Outro dos assuntos acordados foi a entrada de ajuda humanitária e de combustível a partir do posto fronteiriço de Rafah. Poderão entrar a partir do Egito 300 camiões por dia.

O acordo não prevê a retirada das forças israelitas dos locais que atualmente ocupam no interior de Gaza.

O cessar-fogo acontece depois dos ataques israelitas terem causado mais de 13.000 mortes na Faixa de Gaza, 40% das quais crianças. E Netanyahu garantiu isto vai continuar “até atingirmos todos os nossos objetivos” nos quais, para além do regresso de todos os reféns se inclui a destruição do Hamas e “a garantia que em Gaza não haverá nenhum partido que represente uma ameaça a Israel”.

Na manhã desta quarta-feira, aliás, as Forças de Defesa de Israel confirmavam que continuavam a bombardear a Faixa de Gaza enquanto o acordo não entra em vigor. Nestes ataques, diz a agência noticiosa palestiniana Wafa, foram mortas pelo menos nove pessoas no campo de refugiados de Nuseirat. De acordo com o Hamas, o cessar-fogo começa às dez da manhã de quinta-feira.