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Pandemia fora de controlo não evita festejos do Dia da Independência

Vários estados do sudoeste dos EUA bateram recordes de hospitalizações esta quinta-feira e levaram um estado mexicano a encerrar a fronteira. Mas o fim de semana do 4 de Julho promete repetir festas como a que juntou centenas na embaixada em Lisboa.
Donald Trump
Foto Tia Dufour/Casa Branca - Flickr

Os estados do Mississippi, Tenessee, Arizona, Texas e Nevada bateram esta quinta-feira um novo recorde de hospitalizações diárias de doentes com covid-19. A situação no Arizona é particularmente grave e segundo o Washington Post fez regressar aos hospitais imagens semelhantes às que assistimos em Nova Iorque no pico da pandemia. Para além da duplicação das camas, requisição de pessoal hospitalar de outros estados e da paralisação de cirurgias programadas, regressou a imposição dos “padrões de cuidados em crise” que determina para cada hospital quais os doentes que vão receber ventilação num cenário de sobrelotação. “Acho que é bastante óbvio que não estamos a ir na direção certa”, afirmou o especialista chefe Anthony Fauci numa comunicação, ao dar o testemunho da evolução dos números de novos infetados que faz prever nova corrida aos hospitais nas próximas semanas.

Dia da Independência: não faltam fogos de artifício e festas... até na embaixada em Lisboa

O aumento descontrolado de novos casos, acima dos 50 mil por dia, acontece à beira de um fim de semana alargado no qual os norte-americanos costumam festejar o seu Dia da Independência. E apesar da pandemia, muitos dos festejos acontecem à mesma dentro e fora do país. Até em Lisboa, onde segundo a TVI a embaixada dos EUA resolveu convidar mil pessoas para uma festa esta quinta-feira, indicando que o uso de máscara não era obrigatório.

Apesar de inúmeros cancelamentos de paradas e fogos de artifício, o presidente Donald Trump vai comemorar o 4 de julho com um fogo de artifício no Monte Rushmore, no Dakota do Sul, onde estão esculpidos os rostos de quatro dos seus antecessores no cargo. Milhares de pessoas deverão declinar os conselhos das autoridades locais e comparecer no evento desta sexta à noite. Segundo o New York Times, a autoridade dos parques nacionais diz aconselhar o uso de máscara e o distanciamento social, embora acrescente que nada fará para dissuadir quem não seguir o conselho. A própria governadora republicana do estado, Kristi Noem, fez questão de dizer à Fox News que marcará presença e não seguirá as regras de distanciamento social. Também a capital do país anuncia para o 4 de julho um espetáculo “único” de pirotecnia que promete ser “o maior da história recente” de Washington DC e contará também com a presença de Trump. Os responsáveis pelo Departamento do Interior dizem poder disponibilizar 300 mil máscaras a quem queira assistir ao evento, mesmo contra as recomendações da mayor da cidade, Muriel Bowser, que o criticou por não seguir as recomendações federais sobre ajuntamentos públicos durante a pandemia.

As deslocações previstas neste fim de semana levaram alguns decisores políticos a decretarem o regresso das quarentenas de 14 dias. Em Chicago, ela entra em vigor a partir de segunda-feira para pessoas vindas dos 15 estados com maior aumento no número de novas infeções. Na Pennsylvania, as autoridades recomendam a toda a população que viaje para esses estados para se mantenha em casa no mesmo período. São eles o Alabama, Arizona, Arkansas, Califórnia, Florida, Georgia, Idaho, Louisiana, Mississippi, Nevada, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Tennessee, Texas e Utah.

Na Califórnia, o governador decidiu na quarta-feira mandar encerrar bares, restaurantes e outros locais de acesso público em zonas que abrangem 70% da população do estado. O aumento de casos nas últimas duas semanas fez disparar em 60% o número de hospitalizações, que chega agora a mais de 6.800 pessoas. Na quarta-feira, o número de novas infeções bateu o recorde com 9.740 casos.

Ao contrário das instruções dadas pelo empresário republicano nomeado embaixador em Lisboa por Donald Trump, a imposição do uso de máscaras  em locais públicos começa a ser aplicada em estados como o de Washington, onde o governador democrata Jay Inslee anunciou que a partir da próxima semana o comércio deixará de servir clientes que se recusem a usar máscara no interior dos estabelecimentos. Também o governador republicano do Texas deu ordens para o uso obrigatório de máscara em público em todas as localidades que registem mais de 20 casos positivos de covid-19, além de dar luz verde às autoridades locais para limitarem os ajuntamentos a um máximo de 10 pessoas. Há poucas semanas, Greg Abbott tinha recusado um pedido subscrito por nove mayors texanos para que os deixasse multar quem não usasse máscara em público.

Situação descontrolada no Arizona obriga estado mexicano a fechar fronteira

As autoridades de saúde do estado mexicano de Sonora pediram ao governo federal que encerre a fronteira com o vizinho estado norte-americano do Arizona, por causa do aumento acentuado de novos casos. A governadora de Sonora, Claudia Pavlovich Arellano, anunciou que este fim de semana haverá fiscalização em todos os pontos fronteiriços e apenas serão autorizadas as viagens ligadas a atividades consideradas essenciais, como trocas comerciais, serviços médicos e transporte de medicamentos.

A governadora acrescentou que a fiscalização não se fará apenas nos postos de fronteira, mas também nas estradas de acesso às praias situadas a cerca de cem quilómetros da fronteira com o estado do Arizona. Em Sonora, com cerca de três milhões de habitantes, o número de infetados também tem vindo a crescer com quase 300 novas infeções por dia e um total de 7.876 casos, com 737 óbitos a registar, 29 dos quais esta quinta-feira.
 

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