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Palma de Maiorca vai limitar cruzeiros por razões ambientais

O acordo entre o governo regional das Ilhas Baleares e as empresas do setor vai reduzir a entrada de cruzeiros neste porto a três por dia. As associações ambientalistas, de moradores e partidos de esquerda dizem que é um número que continua acima do que a cidade consegue suportar.
Cruzeiro com a Catedral de Palma ao fundo. Foto de Karim Rezk/Flickr.
Cruzeiro com a Catedral de Palma ao fundo. Foto de Karim Rezk/Flickr.

O Governo Regional das Ilhas Baleares anunciou a semana passada que, a partir de 2022, a entrada de navios de cruzeiro no porto de Palma de Maiorca será limitada a três por dia, sendo que um destes pode ser um dos mega-cruzeiros que chegam a transportar mais de 5.000 pessoas ao mesmo tempo.

Com as entradas a serem planeadas com meses de antecedência, esta medida tem exceções previstas em cerca de 20 dias, por contratos e compromissos já assumidos.

As autoridades regionais congratularam-se com o acordo para os próximos cinco anos assinado com a CLIA, Associação Internacional das Linhas de Cruzeiro e com as maiores empresas do setor que dizem ser inédito no país e de uma dimensão única na Europa dados os números envolvidos neste porto. O acordo terá demorado dois anos a negociar e estima-se poder vir reduzir o tráfego em 13%. Em 2019, mais de 2,6 milhões de turistas entraram em Palma por esta via. Chegaram a atracar oito navios no mesmo dia, lançando mais de 22.000 pessoas na zona turística da cidade.

O assunto está longe de ser consensual. Por um lado os ambientalistas queriam mais, por outro os defensores dos interesses económicos que andam à volta desta indústria acham demais.

Várias personalidades e associações locais, ambientalistas e de moradores, tinham lançado um abaixo-assinado público, que conta ao momento com mais de 22.500 assinaturas. Exigiam que só fosse permita a entrada de um navio destes por dia, com um número máximo de 4.000 pessoas, que a Autoridade Portuária analisasse e disponibilizasse dados diários sobre impactos ambientais da atividade, como o consumo de água, eletricidade, contaminação do ar e da água entre outros, que exigisse “transparência fiscal e laboral” a estas empresas e que se aumentasse o imposto do turismo sustentável que deveria ser utilizado para compensar os impactos desta atividade.

Os signatários consideram ainda que o turismo intensivo “desvaloriza o património histórico e cultural, convertendo o espaço urbano apenas num parque temático para visitantes e degradando a experiência turística”.

A Plataforma contra os Megacruzeiros comenta o acordo dizendo que os números de entradas “ainda são acima do que a cidade consegue suportar” e que “o governo regional perdeu a oportunidade de tomar uma decisão corajosa para salvaguardar os residentes das Ilhas Baleares, o seu ambiente, a sua saúde e o seu direito à cidade”. Assim, serão mais “cinco anos de poluição, de gases que são perigosos para a saúde pública dos moradores e passageiros, cinco anos de pressão humana insuportáve, cinco anos contra a Agenda 2030”.

Do lado dos partidos, por exemplo Jesús Jurado, do Podemos, considera que o acordo “inadequado”, não resolve os problemas de excesso de lotação e de contaminação e exige maior “consciência ambiental”.

Do outro lado, um grupo chamado “Sim aos Cruzeiros”, cujo porta-voz é guia turístico local chamado Álex Fraile diz que a limitação é “um erro”, acrescentado os habituais argumentos económicos e de criação de emprego.

O mesmo fizeram no final do mês passado, com este acordo já à vista, as associações patronais locais. Na sua posição conjunta contra as limitações de entradas de cruzeiros falavam na “debilitada situação que vive a economia da nossa terra” e queriam que o governo deixasse de “fazer política com o pão dos cidadãos”. Para além do mais, contestam a legalidade de uma limitação de entrada destes navios.

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