A notícia de que doze funcionários da agência das nações unidas que presta ajuda humanitária em Gaza (UNRWA) participaram nos ataques do Hamas de 7 de outubro levou vários países a suspenderem o financiamento de que a agência, que emprega cerca de 13 mil pessoas no território de Gaza, precisa para manter as suas operações.
O diretor da UNRWA, Philippe Lazzarini, diz que a decisão ameaça o trabalho humanitário desenvolvido pela agência, da qual dependem para sobreviver dois milhões de pessoas. Os abrigos da agência dão teto a um milhão de pessoas em Gaza e a ajuda alimentar passa também sobretudo pelo seu trabalho.
Lazzarini afirma-se chocado com a suspensão de fundos por causa das ações de um pequeno grupo de funcionários, tendo em conta que a agência terminou de imediato os seus contratos e que os serviços de inspeção da ONU começaram a investigar a situação.
O comissário-geral da UNRWA lembra que a decisão da semana passada do Tribunal Internacional de Justiça ordena a Israel que tome "medidas imediatas e eficazes para permitir o fornecimento dos serviços básicos e assistência humanitária" aos palestinianos da Faixa de Gaza, o que Lazzarini considera que "a única forma de fazer isto é através da cooperação com os parceiros internacionais, em particular a UNRWA enquanto a maior organização no terreno em Gaza". E acrescenta que 3000 funcionários dos 13 mil continuam a comparecer ao serviço e a contribuir para salvar vidas no território, o que pode deixar de acontecer devido à falta de financiamento.
Além disso, o responsável afirma que a lista de funcionários da agência é entregue aos países todos os anos, incluindo a Israel, e que nunca houve quaisquer queixas ou preocupações manifestada sobre algum deles.
"Apelo aos países que suspenderam o seu financiamento a reconsiderarem as suas decisões antes que a UNRWA seja obrigada a suspender a sua resposta humanitária". As vidas das pessoas em Gaza dependem deste apoio e a estabilidade d região também", conclui Philippe Lazarinni.