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Palácio Galveias recebe biblioteca pessoal de Herberto Helder

São cerca de oito mil os livros da coleção pessoal de Herberto Helder que irão passar a integrar a Rede de Bibliotecas Municipais de Lisboa. Esta coleção, cedida pela família do autor, ficará alojada no Palácio Galveias, em Lisboa.
Palácio Galveias, em Lisboa, recebe biblioteca pessoal de Herberto Helder. Fotografia: Wiki Commons

Herberto Helder, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, nasceu na Madeira, em 1930. Frequentou a universidade em Coimbra; colaborou em publicações como A Briosa, Renhau-nhau, Búzio, Folhas de Poesia, Graal, Cadernos do Meio-dia, Pirâmide, Távola Redonda e Jornal de Letras, Artes & Ideias. No final dos anos de 1960, foi diretor literário da editorial Estampa.

Em 1971, partiu para África, onde realizou uma série de reportagens para a revista Notícias. Na altura, Herberto somava já perto de década e meia de atividade literária, desde a publicação dos primeiros poemas (1953/1954) e do primeiro livro, "O Amor em Visita" (1958). A sua bibliografia contava então com obras como "A Colher na Boca" (1961), "Os Passos em Volta" (1963), "Húmus" e "Retrato em Movimento" (1967), "O Bebedor Nocturno" (1968), além da primeira recolha, "Ofício Cantante 1953-1963".

Entre os seus livros posteriores contam-se "Poemacto", "A Cabeça Entre as Mãos", "As Magias", "Última Ciência", "A Faca Não Corta o Fogo – Súmula & Inédita", "Servidões", "Poemas Canhotos".

Traduziu poemas de autores como Antonín Artaud, Edgar Allan Poe, Herman Hesse, Henri Michaux, Malcolm Lowry, Marina Tsvetaieva, Stéphane Mallarmé, Zbigniew Herbert, assim como dos índios Caxinauás, do Amazonas, e dos povos Maias, Quíchuas e Astecas.

Organizou a antologia das “vozes comunicantes da poesia moderna portuguesa”, em “Edoi Lélia Doura”, congregando, num só volume, obras de autores como Gomes Leal, Ângelo Lima e Fernando Pessoa, António José Forte, Luiza Neto Jorge e António Gancho, sem esquecer Vitorino Nemésio, Natália Correia, Mário Cesariny, António Maria Lisboa e Ernesto Sampaio.

Herberto Helder deu a última entrevista em 1968 e, em 1994, recusou receber o Prémio Pessoa. Faleceu em 2015, em Cascais, aos 84 anos. Aquando da sua morte, Manuel Alegre considerou-o como “um dos maiores poetas de todos os tempos” enquanto Pedro Mexia o referiu como “o maior poeta da segunda metade do século XX, tal como Fernando Pessoa o foi, na primeira”.  

Em 2020, a Porto Editora reeditou "Apresentação do Rosto", um chamado "autorretrato romanceado" de Herberto Helder, publicado em 1968, que esteve fora das livrarias durante 52 anos. Publicada pela Ulisseia, a edição original foi rapidamente apreendida pela PIDE, a polícia política da ditadura, que destruiu os quase 1.500 exemplares impressos. A obra não voltou a ser editada até ao ano passado.
 

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