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Pagamentos a António Vitorino sob suspeita do fisco espanhol

A investigação judicial sobre um esquema de corrupção envolvendo a petrolífera venezuelana e o advogado e ex-embaixador espanhol Raúl Morodo revelou pagamentos feitos por este ao antigo ministro socialista.
António Vitorino.
António Vitorino. Foto Organização Internacional para as Migrações.

O nome do ex-ministro do PS e atual diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações tem sido notícia em Espanha a propósito da investigação judicial às suspeitas de corrupção que recaem sobre o ex-embaixador espanhol na Venezuela, Raúl Morodo. O advogado que se tornou diplomata também ocupou o posto de embaixador em Lisboa entre 1995 e 1999, mas a sua ligação a Portugal remonta a antes do 25 de Abril, com laços de amizade a Mário Soares.

As suspeitas sobre Raúl Morodo e o seu filho Alejo — do qual é sócio num escritório de advogados e que é casado com a filha de outro ex-ministro português, Dias Loureiro — envolvem o recebimento de 4.4 milhões de euros da petrolífera estatal venezuelana PVDSA através de contas na Suíça, que estão sob os holofotes da Autoridade Tributária. Foi no exame detalhado das contas das duas sociedades da família Morodo que apareceram os pagamentos a António Vitorino, num total de 325 mil euros entre 2011 e 2016.

Em documentos revelados pelo site espanhol OkDiario, o fisco espanhol diz que “é necessário investigar a realidade dos serviços de consultadoria” prestados pela consultora de António Vitorino. E relaciona os pagamentos com um acordo feito em 2008 entre a PVDSA e a Galp, que também tem as sociedades dos Morodo na sua folha de pagamentos desde 2004.

Os pagamentos foram feitos a uma empresa de consultadoria detida por Vitorino e a sua mulher e segundo revela esta quarta-feira o jornal público, o montante recebido ascende a quase 30% das receitas da consultora. António Vitorino admitiu ao Público ter prestado serviços de consultadoria “em assuntos referentes à União Europeia e às relações entre Portugal e Espanha” a uma das  sociedades de advogados referidas na investigação. Quanto à relação com a família Morodo, afirma que ela existe “há mais de 20 anos, quando o embaixador Morodo representava o seu país em Lisboa”.

Em resposta a uma notícia no El Mundo que dava a conhecer a sua relação profissional com as empresas de Morodo, António Vitorino afirmou que a sua consultora tem atividade suspensa desde 2018 e que “em momento algum esses serviços de consultadoria tiveram qualquer relação com a Venezuela, pelo que é totalmente abusivo estabelecer uma ligação da mesma com um alegado desvio de 35 milhões de euros a que alude a notícia” sobre as luvas pagas pela PVDSA.

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