Pacote laboral vai definir orientação do mandato de Seguro, diz Pureza

09 de fevereiro 2026 - 18:41

Na ronda de reuniões com as centrais sindicais, o coordenador do Bloco encontrou-se esta segunda-feira com a União dos Sindicatos Independentes.

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José Manuel Pureza
José Manuel Pureza. Foto de Rafael Medeiros.

José Manuel Pureza prosseguiu esta segunda-feira a ronda de reuniões que tem mantido com as direções das centrais sindicais e vários sindicatos com o objetivo de manter “em primeiro plano de importância política” a luta contra a proposta do Governo para alterar as leis laborais.

Desta vez o encontro foi com a direção da União de Sindicatos Independentes, cujo papel realçou nesta luta que irá prosseguir “porque, no fundo, isto corresponde àquilo que é o quotidiano das pessoas que não compreendem qual é a razão disto e que sentem que existem riscos muito grandes de precariedade eterna, de fragilização profunda dos seus direitos”, alertou.

Questionado pela agência Lusa sobre as declarações de Luís Montenegro na noite eleitoral de domingo, quando disse esperar que “haja uma evolução” na revisão das leis laborais e que o novo Presidente aprove a proposta final do Governo, José Manuel Pureza voltou a acusar o executivo de “obsessão ideológica” e afirmou que “o primeiro-ministro pode dizer aquilo que queira para tentar iludir a questão principal”.

“Há um conjunto de medidas que são avançadas pelo Governo e que têm como único propósito penalizar o mundo do trabalho. E sobre isso não creio que haja nenhum acordo possível”, afirmou o coordenador bloquista, considerando que é o executivo “que está numa posição de total intransigência”.

Quanto à posição que António José Seguro terá em Belém sobre o pacote laboral, Pureza considera que “o novo Presidente da República definirá muito de qual é a sua orientação” consoante a posição que tomar. Até agora, Seguro afirmou que não daria aval a uma proposta sem acordo com a UGT na concertação social.

Pureza comentou ainda as declarações do autarca de Leiria sobre o atraso na reposição da eletricidade em muitas localidades, quando disse que se fosse na casa de quem governa o país a resposta teria sido mais rápida. Para o coordenador do Bloco, o que tem “salvaguardado a dignidade mínima” das comunidades afetadas tem sido “um movimento de solidariedade espontânea por parte das pessoas de todo o país”.

“É isso que tem, de facto, compensado a ineficácia governamental. Os autarcas são também, igualmente, muito importantes e têm estado invariavelmente na primeira linha da tentativa de resposta”, acrescentou Pureza, considerando que o Governo tem mostrado  “grande sobranceria e distanciamento político e emocional” desde o início da catástrofe.