Um estudo publicado na revista científica Earth's Future mostra que quase metade (44%) dos estuários mundiais sofreram alterações provocadas pelos seres humanos.
Os investigadores usaram dados de satélite para registar alterações em 2.396 estuários durante o período entre 1984 e 2019. Descobriram que as perdas se acentuaram nos últimos 35 anos. Durante este período mais de 100.000 hectares de estuários foram adaptados para terrenos urbanos ou agrícolas. No total, 20% de todas alterações registadas aconteceram nestes anos.
Este processo é muito mais intenso, descobriu-se ainda, nos países asiáticos em rápido desenvolvimento e de rendimento médio (quase 90% do total). Por outro lado, nos países com rendimentos elevados, este período mais recente foi de poucas perdas. Até porque estas tinham ocorrido décadas antes, quando estes países estiveram eles próprios em fases de desenvolvimento acelerado.
A “falta de leis” e de “políticas de conservação” são apresentadas como fatores que permitiram estes estragos que tipicamente ocorrem durante aquilo que os investigadores denominam as “fases de rendimento médio” que fazem com que a “degradação estuarina” seja “uma consequência comum do crescimento económico”.
Os estuários, pontos de encontro entre os rios e os oceanos e que misturam água salgada e doce, são um habitat único e desempenham um papel significativo para a biodiversidade, sendo até chamados de “berçários do mar”. Para além disso, separam lodo e poluentes da água do rio antes de chegar ao mar, estabilizam as linhas costeiras, previnem a erosão e ajudam a absorver inundações.
Ao Geographical, Guan-hong Lee, da Universidade Inha da Coreia do Sul, um dos autores principais do estudo, explica que “especialmente no século XX” os estuários “foram alterados pelos humanos pela construção de barragens estuarinas e recuperação de terras”. As “consequências para a perda de terras são surpreendentemente enormes”, afirma, mas acredita que os países em desenvolvimento têm muitas “oportunidades” para “minimizar os impactos ambientais e económicos negativos dos estuários degradados, equilibrando simultaneamente as suas próprias necessidades económicas e de desenvolvimento”.