“Os esquerdistas malucos da Grécia têm uma boa ideia”

27 de janeiro 2015 - 17:25

Editorial da Bloomberg defende a recuperação económica da zona euro através do alívio da dívida dos países mais atingidos pela crise. Editoriais do The New York Times e da Deutsche Welle apontam, com matizes, no mesmo sentido.

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Estúdio da Bloomberg em Londres. Foto de Kowarisuki

A agência Bloomberg defendeu em editorial que a Alemanha devia levar a sério uma ideia do considera ser a “retórica populista” do Syriza: retomar o crescimento na área do Euro através da concessão de um alívio das dívidas dos países mais atingidos pela crise.

O editorial, intitulado “Os esquerdistas malucos da Grécia têm uma boa ideia”, defende que a proposta de Tsipras de realizar uma conferência europeia sobre a dívida “faz sentido” e recorda que há muitos precedentes que os alemães, que mais reagem contra ela, deviam conhecer bem. Os editorialistas da agência de informações económicas de propriedade do milionário Michael Bloomberg, ex-presidente da câmara de Nova York, recordam que os credores da Alemanha, depois da II Guerra Mundial, “perdoaram cerca de 50% das dívidas da Alemanha Ocidental e concordaram que o pagamento do restante seria contingente ao crescimento económico alemão.

Hoje a Alemanha, a mais poderosa nação credora, opõe-se a isto e “insiste na severa austeridade fiscal”, prossegue o editorial, reconhecendo que os resultados foram desastrosos. “Na Grécia, um em cada quatro trabalhadores está desempregado e – segundo estimativas – quase metade da população vive na pobreza”.

Dinheiro gasto na dívida seria melhor usado a criar empregos

Os editorialistas da Bloomberg afirmam que esta política tornou impossível a países como a Grécia, Itália, Portugal, Espanha e mesmo a França a atingirem rácios de dívida em relação ao PNB inferiores aos 60%.

“O maior nível de emprego e o crescimento mais rápido facilitariam o pagamento pelos governos da restante dívida”

“O perdão da dívida ligado a reformas económicas pró-crescimento ajudaria”, diz o editorial, defendendo que o dinheiro gasto por estes países no serviço da dívida poderia ser melhor usado na criação de empregos. “O maior nível de emprego e o crescimento mais rápido facilitariam o pagamento pelos governos da restante dívida”, vaticinam.

As outras vantagens seriam reduzir o sofrimento já infligido e restaurar o apoio popular ao projeto europeu. E conclui: “para o seu próprio bem, a Alemanha deveria repensar esta questão”.

O editorial do The New York Times “O Grito agonizante da Grécia à Europa” vai no mesmo sentido, defendendo que a Alemanha e outros europeus precisam de ouvir a mensagem vinda das eleições gregas. “Persistir no seu curso dogmático é não só errado para a Grécia mas também perigoso para toda a União Europeia”, afirma.

Também Jasper Sky, editorialista da TV e rádio alemã Deutsche Welle defende que a “solidariedade com a Grécia faz sentido económico”. O editorial afirma que se a troika se recusar a negociar a dívida da Grécia, “isso equivale a uma declaração de que a Comissão Europeia não reconhece a soberania da Grécia e não respeita o resultado de eleições democráticas”.