Organizações denunciam mortes de trabalhadores nas obras do Mundial da Arábia Saudita 2034

20 de maio 2025 - 21:02

Human Rights Watch e FairSquare denunciam mortes evitáveis e sem qualquer tipo de fiscalização na construção das infraestruturas para o Mundial de Futebol de 2034. Há registos de abusos laborais por toda a Arábia Saudita.

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Mundial de Futebol
Mundial de Futebol. Fotografia de Rawpixel/CC

As obras para o Mundial de Futebol da Arábia Saudita em 2034 já levaram à morte de dezenas de trabalhadores imigrantes e poderão levar à morte de muitos mais. Dois estudos publicados por organizações não-governamentais alertam para falta de condições e exploração de trabalhadores que aumentam a taxa de mortalidade para quem trabalha na construção das infraestruturas para o mundial.

Segundo o Guardian, a necessidade de construção para o mundial levou a um aumento da procura de mão-de-obra barata, o que significou um aumento exponencial de trabalhadores imigrantes no pais desde 2021. O relatório da FairSquare, organização na área dos direitos no desporto, denuncia um “sistema que coloca em risco” as vidas de centenas de milhares de homens jovens.

A FairSquare identifica uma “ausência crítica” de “políticas eficientes para determinar a causa de mortes de trabalhadores migrantes na Arábia Saudita” e afirma a possibilidade de “milhares de mortes por explicar de trabalhadores imigrantes e mal-pagos”.

Já um segundo relatório da Human Rights Watch, que é feito com base em entrevistas a 31 famílias de trabalhadores que morreram nos “megaprojetos” do Mundial de 2034, fala em mortes que podem ser evitadas. As famílias dos trabalhadores mortos queixam-se da falta de informação que recebem sobre as mortes.

“Dado que as autoridades sauditas não estão a garantir adequadamente as proteções básicas de segurança e a segurança social para os trabalhadores migrantes, as empresas locais e internacionais enfrentam uma responsabilidade acrescida para garantir que não estão a ocorrer violações graves dos direitos nas suas operações comerciais na Arábia Saudita”, disse Michael Page, responsável da Human Rights Watch para o Médio Oriente.

Segundo a organização não-governamental, há registos de abusos laborais por toda a Arábia Saudita, agravados por doenças causadas devido a exposição a temperaturas extremas e às areias e poeiras do deserto.

A Human Rights Watch assinala ainda que a FIFA atribuiu a preparação do Mundial de Futebol de 2034 à Arábia Saudita “sem a devida diligência em matéria de direitos humanos e garantias de requisitos efetivos de proteção dos trabalhadores”. A FIFA comprometeu-se a criar um sistema de segurança social para os trabalhadores que estão a construir as infraestruturas para este mundial, obrigando ao cumprimento de normas mínimas de segurança, mas não forneceu detalhes em específico.

“A FIFA, que afirma ser um impulso para reformas laborais positivas nos países anfitriões do Mundial, deveria aprender com os desastres de direitos humanos de torneios anteriores e exigir urgentemente mecanismos eficazes de prevenção, investigação e indemnização por mortes e ferimentos de trabalhadores migrantes”, concluiu Page.

Já com o Mundial de Futebol do Catar, a ação da FIFA também foi contestada por organizações da sociedade civil que deram conta do número de trabalhadores mortos na construção dos estádios e infraestruturas para a competição desportiva.