ONU denuncia “tratamentos cruéis, desumanos e degradantes" em Guantánamo

27 de junho 2023 - 20:22

Após duas décadas sem obter autorização para o efeito, a ONU conseguiu enviar uma perita de direitos humanos ao estabelecimento prisional. Após a visita, Fionnuala Ní Aoláin defendeu que o fecho de Guantánamo “continua a ser uma prioridade".

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Foto PxHere.

No seu relatório, divulgado na segunda-feira, e citado pela agência Lusa, Fionnuala Ní Aoláin retrata "uma vigilância quase constante, extrações forçadas das celas, utilização excessiva de meios de contenção", "carências estruturais em matéria de saúde, acesso desadequado às famílias" e "detenções arbitrárias caracterizadas pela continuação de violação do direito a um processo equitativo".

Em conferência de imprensa, a perita da ONU frisou que "a totalidade de todas estas práticas e negligências (...) têm efeitos agravantes cumulativos sobre a dignidade, as liberdades e os direitos fundamentais de cada detido, o que equivale a tratamentos cruéis, desumanos e degradantes".

A perita de direitos humanos defendeu que "o fecho deste estabelecimento continua a ser uma prioridade".

Fionnuala Ní Aoláin fez ainda referência ao seguimento das vítimas do 11 de setembro de 2001, vincando que o mesmo continua a ser necessário para respeitar o seu "direito à reparação". De acordo com a representante da ONU, a prática de tortura em prisões clandestinas, e depois em Guantánamo, "representa o principal obstáculo para o direito das vítimas à justiça".