ONG lançam petição para proibir pesca por arrasto em zonas protegidas

17 de abril 2024 - 13:41

Um relatório elaborado por três ONG revela que, entre 2015 e 2023, as áreas marinhas protegidas portuguesas da rede Natura 2000 registaram mais de 150 mil horas de pesca de arrasto de fundo, uma técnica danosa para a biodiversidade. Petição apela à Comissão Europeia para proibir esta prática.

PARTILHAR
Fotografia: Greenpeace

A quantification of bottom towed fishing activity in marine Natura 2000 sites” é o nome do relatório que foi conhecido esta terça-feira, realizado pela Marine Conservation Society, pela Oceana e pela Seas At Risk. Estas organizações não governamentais (ONG) lançaram a petição “Urge the EU Commission to Ban Destructive Fishing in Protected Waters”, que apela a que a Comissão Europeia proíba a pesca de arrasto nas zonas protegidas. 

Este relatório debruça-se sobre as práticas de arrasto de fundo em áreas marinhas protegidas no âmbito da rede Natura 2000 em sete países, designadamente, Portugal (150 mil horas), Dinamarca (650 mil horas), Alemanha (730 mil horas), Irlanda (19 mil horas), Países Baixos (2,1 milhões de horas), Estado Espanhol (460 mil horas) e Suécia (180 mil horas). No total, são mais de 4,4 milhões de horas de pesca de arrasto de fundo ocorridas em áreas protegidas. 

Em Portugal, as 155.475 horas de pesca de arrasto de fundo realizadas ocorreram com particular predominância na Costa Sudoeste (Alentejo) e em Maceda/Praia da Vieira (distrito de Leiria); esta prática é proibida nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

A pesca de arrasto de fundo “não é compatível com a salvaguarda da biodiversidade” afirmou Gonçalo Carvalho, coordenador executivo da associação ambientalista Sciaena, em declarações à Lusa, acrescentando que Portugal está “ainda longe de ter uma gestão efetiva das áreas marinhas protegidas”. 

A pesca de arrasto

A pesca de arrasto de fundo é um método de pesca indiscriminada que envolve um ou mais navios que puxam redes de pesca pesadas ao longo do fundo do oceano para capturar peixes e outras espécies marinhas, como o camarão, sendo considerado um dos métodos mais destrutivos, resultando na perda de ecossistemas, na libertação de carbono armazenado no fundo do mar e em elevados níveis de capturas acessórias e rejeições de peixe (92% de todas as rejeições de peixe da UE provêm de capturas de arrasto de fundo).

Esta situação tem um impacto negativo tanto na sustentabilidade das populações de peixes como no próprio setor das pescas, especialmente nos pescadores de pequena escala e de baixo impacto, que representam 80% da frota europeia ativa e 50% dos empregos no setor, refere a Sciaena.