Alguns vídeos publicados nas redes sociais de protestos na cidade curda de Sanandaj mostram agentes de segurança a atirar diretamente contra manifestantes esta segunda-feira, 10 de outubro.
Neste mesmo dia, a Amnistia Internacional alertou para a repressão das forças de segurança com armas de fogo e gás lacrimogéneo de forma indiscriminada, “inclusive nas casas das pessoas".
Video shows anti-riot forces shooting at #protesters in #Sanandaj last night.#MahsaAmini #Mahsa__Amini #IranProtests2022 #Iran #مهسا_امینی #سنندج https://t.co/f2oQv99beH
— Kurdistan Human Rights Network (@KurdistanHRN_En) October 11, 2022
Já a Organização de Direitos Humanos Hengaw acrescentou que "Sanandaj esteve sob um ataque militar total da República Islâmica do Irão” e que, ao mesmo tempo, as vias de acesso e a internet foram cortadas.
Heavy street fightings in #Sannandaj. Video shows Street fighting between #Iran regime forces & the #Kurdish protesters in the city of #sanandaj in Iran.#مهسا_امینی #سنندج #ژینا_ئەمینی #Mahsa__Amini #Iranprotets2022 #IranProrests #ژن_ژیان_ئازادی pic.twitter.com/PN9FoJxYCx
— Afshin Ismaeli (@Afshin_Ismaeli) October 11, 2022
A ONG referiu ainda que o tratamento dos feridos está a ser condicionado pelas forças de segurança iranianas e que recebeu documentos que “mostram o uso de armas de guerra proibidas".
Some videos posted on social media of protests in the Kurdish city of Sanandaj showed security agents shooting directly at protesters. https://t.co/BDEXszDsen
— Radio Farda (@RadioFarda_Eng) October 11, 2022
O órgão das Nações Unidas para a ajuda humanitária e de desenvolvimento para crianças, UNICEF, pediu a proteção de crianças e adolescentes vítimas da repressão da República Islâmica.
This video displays the brutality of the Iranian regime against Kurds in Sanandaj city. Sanandaj has been resisting for 24 days. @AmnestyIran and other human rights orgs have called for an immediate halt to violence against protesters.#Sanandaj #Iran #Kurdistan pic.twitter.com/dFMF27sTP7
— Behrouz Boochani (@BehrouzBoochani) October 10, 2022
Num comunicado divulgado na segunda-feira, a diretora executiva da UNICEF, Catherine Russell, afirmou que o órgão está “extremamente preocupado com os contínuos relatos de crianças e adolescentes que estão a ser mortos, feridos e detidos” no Irão.
#BreakingNews #Now, Sanandaj revolutionary youth, Iranian regime soldiers continue their street-to-street clashes. All peoples of Kurdistan and Iran need to take part in protest actions to support the people of #Sanandaj.#MahsaAminii#مهسا_امینی#سنندج#نیکا_شاکرمی pic.twitter.com/44n4hA91N6
— Ahmed Ekim (@beybun_rojhilat) October 11, 2022
A UNICEF considera que a violência contra crianças, por qualquer pessoa e em qualquer contexto, é “indefensável” e pede “a proteção de todas as crianças de todas as formas de violência e danos, inclusive durante conflitos e eventos políticos”.
Conflict between government forces and protesters in Sanandaj's Sharif Abad neighborhood.
October 11, 2022#MahsaAmini#مهسا_امینیpic.twitter.com/FeLbLGH5va
— Hengaw Organization for Human Rights (@Hengaw_English) October 11, 2022
Catherine Russell referiu que “crianças e adolescentes devem poder exercer os seus direitos de maneira segura e pacífica em todos os momentos”. Das cerca de 200 pessoas que foram mortas em protestos em todo o Irão desde meados de setembro, perto de duas dezenas são crianças.
Last night, anti-riot forces & plainclothes in several neighbourhoods targeted residential buildings with tear gas & shotguns in #Sanandaj.
Every night, civilians chant slogans from their windows at the same time as #protesters are in the streets.#Iran #سنندج #مهساامینی https://t.co/lBui0uETAT
— Kurdistan Human Rights Network (@KurdistanHRN_En) October 10, 2022
Os protestos têm continuado um pouco por todo o Irão, inclusive na capital. Vídeos mostram mulheres e meninas a marchar na segunda-feira pelas ruas de Teerão sem hijabs. Os estudantes iranianos da Faculdade de Artes da Universidade Azad da capital participaram num protesto com as palmas das mãos cobertas de tinta vermelha para simbolizar sangue.
Em declarações à National Public Radio, Golnaz Esfandiari, correspondente da Radio Free Europe e da Radio Liberty, falou sobre os protestos do fim de semana, afirmando-se surpresa que estes estejam a acontecer “apesar de uma repressão brutal do Estado”. “Apesar do uso da força, as pessoas ainda estão a tomar as ruas e os protestos espalharam-se para universidades e escolas do ensino secundário”, referiu.
Large day of protests throughout Iran today. Crowds in Tehran this eve chanting “Death to the Dictator”. Popular anger shows no signs of subsiding.
pic.twitter.com/z5AWF37zim— Karim Sadjadpour (@ksadjadpour) October 8, 2022
Golnaz Esfandiari, que cresceu no Irão, assinalou a coragem das jovens estudantes iranianas, lembrando o caso das alunas de uma escola que tiraram os seus hijabs, gritaram “morte ao ditador”, e expulsaram um basij, das forças paramilitares, do estabelecimento de ensino.
Amazing video. Unprecedented in the Islamic Republic of Iran's 43-year history. They're yelling "bi-sharaf" ie "dishonorable" https://t.co/CDjZmD2FRS
— Karim Sadjadpour (@ksadjadpour) October 3, 2022
A jornalista lembrou ainda que, no fim de semana, o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, visitou a Universidade Alzahra, só para mulheres. E que foi recebido com canções que diziam que elas não queriam ali um assassino.
Loud and clear!
A group of students at female-only Al Zahra university welcomed Iran’s President Ebrahim Raisi today by chanting “Raisi get lost” and Mullahs must get lost.” #مهسا_امینی pic.twitter.com/7igs0DJ1XO
— Golnaz Esfandiari (@GEsfandiari) October 8, 2022
Golnaz Esfandiari acredita que, “mesmo que eles consigam acabar com o protesto amanhã”, a “raiva não vai embora”.
Students are chanting: Bullets and guns are no longer working…tell my mother she no longer has a daughter (meaning she will be killed)
Monday, Oct 10, Polytechnic university of #Tehran…#Iran #MahsaAmini pic.twitter.com/3faoICwMgb— Rana Rahimpour (@ranarahimpour) October 10, 2022
"E acho que o uso da força, o uso da força letal está a alimentar mais raiva porque as pessoas não podem ficar indiferentes quando veem que eles estão a matar crianças nas ruas”.
A generation of modern granddaughters is tired of being ruled by traditional grandfathers. Today in Sanandaj schoolgirls removed their compulsory veils and chant, "Do not fear, do not fear, we are all together" pic.twitter.com/XVeaxsV83M
— Karim Sadjadpour (@ksadjadpour) October 3, 2022
Trabalhadores da indústria petrolífera juntam-se aos protestos
Mais de 1.000 trabalhadores da indústria petrolífera iraniana, um dos setores da economia com mais peso no país, juntaram-se às manifestações. Os protestos abrangem as empresas petroquímicas Bushehr, Damavand e Hengam e as refinarias de petróleo de Abadan e da Kangan Petro Refining Company.
Vídeos mostram os trabalhadores em greve a queimar pneus e a bloquear estradas junto à petroquímica Asalouyeh, no sudoeste. De acordo com a Rafio Farda, podem ouvir-se nas gravações palavras de ordem como "Morte ao ditador" e "Não tenham medo. Estamos todos juntos!".
Today in Iran, workers strike at Bushehr Petrochemical, chanting “Do not fear, do not fear, we are all together.” Striking oil workers played a critical role in the 1979 revolution. pic.twitter.com/gwLmD5jt5q
— Karim Sadjadpour (@ksadjadpour) October 10, 2022
O Conselho Organizador de Trabalhadores Contratados de Petróleo no Irão afirmou que vários manifestantes foram presos durante uma greve de trabalhadores petroquímicos de Bushehr na cidade de Asaluyeh, no sul do Irão, em 10 de outubro.