Solidariedade

“Onde estão ‘os grandes’?” Carta aberta quer ver as maiores empresas a ajudar vítimas

10 de fevereiro 2026 - 16:17

Iniciativa lançada por profissionais da Cultura destaca os inúmeros exemplos de solidariedade das pequenas empresas e desafia os maiores grupos económicos do país a agirem no apoio às populações afetadas pelas tempestades.

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homem a reparar telhado de casa
Efeitos do mau tempo na região de Leiria devido à passagem da depressão Kristin. Foto de António Pedro Santos/Lusa

“Onde estão ‘os grandes’ nesta altura?”, pergunta o texto de uma carta aberta dirigida ao Governo e aos CEO das principais empresas de energia, distribuição alimentar, higiene, transportes, construção civil, logística.

O texto da missiva questiona-se também sobre o significado da “Responsabilidade Social das Empresas” que é lecionado nos cursos de gestão, sublinhando que “existem empresas privadas no nosso país, que pela sua escala, redes de distribuição, número de trabalhadores e sobretudo, volume de negócios e margens de lucro podiam e deviam mostrar-se disponíveis num momento de crise profunda”.

Sem nomear essas empresas, a carta refere que são “aquelas que nunca fecham, que estão espalhadas por todo o país, que trabalham 365 dias no ano e que apresentam lucros consideráveis. Não temos assim tantas em Portugal”.

Numa altura em que se somam as publicações nas redes sociais de “pequenas empresas de construção que oferecem materiais, padarias que oferecem pão, artistas que participam em eventos solidários de angariação de fundos”, os signatários estranham que os maiores grupos económicos se mantenham à margem deste esforço.

“Apoiar as populações que perderam casas, bens, pequenas empresas, animais, culturas é dever do Estado e este apelo, de modo nenhum, pretende ilibar o Estado das suas responsabilidades. Não é um apelo à substituição, mas à colaboração complementar de outros sectores importantes”, prossegue a carta aberta, desafiando igualmente o Governo a requisitar os serviços destas empresas “para uma resposta à escala necessária e o mais rapidamente possível”.

“Perante a impotência de quem pouco ou nada pode, fica o apelo a quem muito poderia, se quisesse, conclui o apelo promovido pelas atrizes Catarina Requeijo e
Isabel Craveiro e subscrito por mais de seis centenas de pessoas, na maioria ligadas aos setores das artes e cultura, como Ana Benavente, Ana Zanatti, André Barata, António Jorge Gonçalves, Assunção Bacanhim, Catarina Martins, Cucha Carvalheiro, Joana Craveiro, Lígia Afonso, Luis Varatojo, Miguel Cardina, Paulo Furtado, Rita Hasse Ferreira ou Tiago Mota Saraiva.