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OMS declara ébola como emergência pública de saúde de alcance internacional

A diretora-geral da OMS considera que a contenção do ébola dependerá dos países com recursos e capacidade fornecerem a ajuda necessária àqueles que são afetados. O vírus causou até agora 932 mortes de 1.711 casos possíveis e confirmados na África, segundo dados da organização internacional.
"Estamos perante o surto mais severo e complexo em quatro décadas de história desta doença" declarou Margaret Chan diretora-geral da OMS em conferência de imprensa, dada em conjunto com o seu adjunto Keiji Fukuda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta sexta-feira (8 de agosto) que o surto de ébola no oeste da África é uma emergência pública de saúde de alcance internacional e recomendou medidas excecionais para deter sua transmissão.

Os países onde foram registados casos da doença terão que, entre outras medidas, efetuar exames nas pessoas com sintomas associados aos do ébola na saída de aeroportos, portos marítimos e nos cruzamentos fronteiriços.

"Não deve permitir-se a viagem de nenhuma pessoa com um mal-estar que possa ser o ébola, a menos que a viagem seja parte de uma transferência médica", indica a recomendação emitida pela OMS para os seus 194 países-membros. Os países onde se determinou que há uma transmissão ativa do vírus do ébola são Guiné, Libéria e Serra Leoa, enquanto que se avalia com atenção a evolução na Nigéria.

A recomendação da OMS, que consta de uma análise detalhada da situação atual do surto, assim como de várias recomendações dirigidas aos governos dos países afetados e ao resto do mundo, foi adotada por unanimidade por seu Comité de Emergência, que se reuniu durante os dois últimos dias em Genebra.

A conclusão das suas deliberações foi aceite e referendada pela diretora geral da organização, Margaret Chan, que disse que esta decisão representa "um reconhecimento da gravidade e da natureza incomum deste surto". "Estamos perante o surto mais severo e complexo em quatro décadas de história desta doença", declarou num pronunciamento à imprensa.

Após o anúncio das recomendações, Margaret Chan insistiu que a contenção do ébola dependerá em grande medida da "solidariedade internacional", ou seja, que os países com recursos e capacidade forneçam a ajuda necessária àqueles que são afetados

O seu adjunto e que ficará a cargo do acompanhamento diário da evolução da doença, Keiji Fukuda, afirmou que é desnecessário proibir as viagens e o comércio com os países afetados. "A OMS não recomenda a proibição de viagens e comércio, a menos que se trate, de maneira específica, de pessoas infetadas ou que estiveram em contacto (com um doente) e que não devem viajar", disse o especialista.

Por outro lado, a OMS considera que os países em questão devem adiar eventos e reuniões públicas até que se confirme que a cadeia emissora de contágio desta doença foi quebrada. Fukuda esclareceu que isto não contradiz o facto de que a OMS não considere necessário proibir as viagens, pois é a aglomeração de centenas ou milhares de pessoas a que cria uma situação na qual "pode haver uma potencial transmissão" do ébola.

Nesta linha, a OMS mostrou-se em desacordo com a decisão de certas companhias áreas de cancelar os seus voos para os países onde se concentram os casos de ébola, por considerar que as tripulações e passageiros enfrentam um risco muito baixo se forem aplicadas adequadamente as medidas de prevenção.

Por isso, Chan indicou que está em contacto com as companhias áreas para que estas "entendam a maneira de continuar os seus serviços de maneira apropriada. Se for aplicado o pacote completo (de medidas preventivas) o risco é mínimo".

Como parte das recomendações, a OMS também pede aos três países que declarem uma emergência nacional e que assegurem de que as áreas onde há uma transmissão intensa do vírus estejam abastecidas de tudo o que é necessário para que a população não tenha que ir para outro lugar.

"Em regiões de intensa transmissão, como as zonas fronteiriças de Serra Leoa, Guiné e Libéria, o atendimento clínica de qualidade e um apoio psico-social para as povoações afetadas são essenciais para reduzir o movimento das pessoas", na opinião dos especialistas. Eles consideram que, como uma medida suplementar excecional, também pode ser aplicada a quarentena.

Após o anúncio das recomendações, Chan insistiu que a contenção do ébola dependerá em grande medida da "solidariedade internacional", ou seja, que os países com recursos e capacidade forneçam a ajuda necessária àqueles que são afetados.

Libéria declara estado de emergência

A presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, declarou na quinta-feira, num comunicado transmitido pela televisão, o estado de emergência no país por consequência da epidemia de ébola. No seu discurso, a presidente afirmou que alguns direitos civis podem ser suspensos pela crise vivida pelo surto de ébola, que já matou 282 pessoas no país.

"A ignorância e a pobreza, assim como as práticas religiosas e culturais arraigadas, continuam a favorecer a propagação da doença", disse no discurso. O vírus causou até agora 932 mortes de 1.711 casos possíveis e confirmados na Libéria, Guiné, Serra Leoa e Nigéria, de acordo com os números mais recentes da OMS.

Estações de quarentena

Os temores que o surto de ébola se estenda fora do continente africano puseram as autoridades sanitárias dos Estados Unidos em alerta e, embora descartem a possibilidade de uma epidemia, têm preparadas 20 "estações de quarentena" para detetar viajantes infetados.

O medo de que o letal vírus possa estar a um "voo de distância" ficou patente com os recentes casos de vários passageiros infetados que morreram ao chegar ao seu destino na Arábia Saudita e na Nigéria, assim como vários casos suspeitos em Nova York e Ohio, que já foram descartados.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA anunciaram ontem o aumento dos esforços, com especial ênfase nos viajantes entre a zona mais afetada e Estados Unidos.

Artigo publicado por Opera Mundi

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