Flávio Teixeira, um dos quatro enfermeiros subcontratados por uma empresa de prestação de serviços de saúde que deveriam ter começado a trabalhar esta segunda-feira, disse à Lusa que estes profissionais faltaram por considerarem o contrato “ofensivo” para a classe.
Este enfermeiro desempenha funções na extensão Odivelas A do Centro de Saúde há ano e meio, a 7,20 euros à hora, tendo o seu último contrato terminado.
Apesar de terem conhecimento de que um novo contrato apontava para um valor inferior (4,23), só na sexta-feira é que os enfermeiros consultaram o documento, tendo em seguida informado o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) do mesmo.
Os quatro enfermeiros nestas condições decidiram não iniciar funções, tendo faltado ao serviço esta segunda-feira.
Como consequência, esta extensão apenas conta com duas enfermeiras que estão nos quadros, tendo a ausência dos quatro profissionais subcontratados levado ao fecho dos serviços de saúde infantil, saúde materna e vacinação.
Flávio Teixeira desconhece se existem mais casos destes na Grande Lisboa, adiantando, contudo, que estas condições de trabalho estão a indignar os profissionais de enfermagem.
Greve do enfermeiros convocada para o dia 20 de julho
Os moldes da subcontratação de enfermeiros para trabalhar em unidades de saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo têm motivado fortes críticas e é o pretexto para uma paralisação destes profissionais na próxima sexta-feira, segundo anunciou o SEP.
Ouvido pela Lusa, o secretário-geral do SEP, José Carlos Martins, disse que a questão da sub-contratação de enfermeiros para trabalhar em unidades de saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo está longe de ser resolvida, depois do Governo ter permitido essa contratação a 3,96 euros à hora. Por isso estes profissionais, que não podem fazer greve por não terem vínculo à ARS de Lisboa, irão à mesma faltar ao trabalho no próximo dia 20.