Louçã fala em "trafulhice administrativa" do Ministério da Saúde

05 de julho 2012 - 16:34

A manipulação das listas de utentes sem médico de família foi o alvo das críticas do coordenador bloquista no fim da reunião com a diretora dos Agrupamentos dos Centros de Saúde de Cascais. Louçã diz que os profissionais de saúde têm todas as razões para fazer greve na próxima semana.

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O Governo joga com os números para dizer que toda a gente tem médico de família. Foto Paulete Matos

Na reunião desta quinta-feira, em que participaram Francisco Louçã e João Semedo, foram abordados alguns dos temas quentes da política de saúde do Governo e a forma como estão a dificultar o acesso da população aos cuidados médicos. A propósito das listas de médicos de família, Francisco Louçã confirmou que só no concelho de Cascais há 50 mil pessoas que não tinham médico de família e passaram a ter, mas outras 50 mil que tinham médico de família foram retiradas dessa lista.



"Podem declarar que toda a gente que não tinha médico de família passou a ter. Isto é uma brincadeira com as pessoas. Nós precisamos de um serviço de saúde que atenda as pessoas, que olhe para as dificuldades, que as acarinhe, que lhes dê conselhos, que as apoie quando elas precisam e o que o ministro está a fazer é uma gigantesca fraude administrativa, jogando com as pessoas como se fossem números", afirmou Louçã.



Uma situação idêntica está a ocorrer em Oeiras e na Amadora e Louçã classifica-a de "trafulhice administrativa". "Jogar com as pessoas nas folhas de papel não muda nada na saúde delas. Um Ministério que está disponível para resolver os problemas nas folhas de papel é um Ministério que não se preocupa com a saúde das pessoas. É importante alertar para esta manipulação e mostrar que o Governo tem procedido mal", acrescentou o deputado do Bloco.



Outro dos temas abordados foram as contratações de enfermeiros, nutricionistas e fisoterapeutas por menos de quatro euros por cada hora de trabalho. Para Louçã, "não há rei, nem roque, não há regras, não há respeito nenhum, não há nenhuma prioridade, não há estratégia, não há forma de ver o Serviço Nacional de Saúde e é por isso que a greve dos profissionais da próxima semana é tão importante".



A seguir à reunião, a comitiva bloquista prosseguiu a agenda do dia dedicada à Saúde, visitando ainda o Centro de Saúde do Estoril.