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Oceanos: Bloco desafia Governo a declarar 30% do mar português como área protegida

Bloco começou hoje o roteiro climático. Catarina Martins propôs também que o Governo faça uma moratória sobre a mineração em alto mar. Apontou ainda que o combate às alterações climáticas não é fácil, “porque é um caminho contra o capitalismo e contra a exploração predatória dos recursos do planeta”.
Catarina Martins este sábado no roteiro climático - foto esquerda.net
Catarina Martins este sábado no roteiro climático - foto esquerda.net

O Bloco de Esquerda começou hoje o roteiro climático, que decorrerá até final do ano, por todo o país. [Ler Roteiro pela Justiça Climática arranca este sábado] No sábado, o roteiro decorreu em Lisboa, com uma marcha de manhã, um piquenique com música, várias intervenções e uma bicicletada.

Além de Catarina Martins, intervieram também Carla Castelo do movimento Evoluir Oeiras e vereadora na Câmara de Oeiras, Diana Neves ativista da greve climática estudantil, Ana Matias ativista pelos direitos do ambiente e Beatriz Gomes Dias, vereadora do Bloco em Lisboa.

O Bloco de Esquerda divulgou também um projeto de lei que elimina a possibilidade de privatização de volumes de mar com concessões até 50 anos, mantendo a hipótese de licenças de utilização para uso temporário, intermitente ou sazonal até 25 anos, e um projeto de resolução que recomenda ao Governo que declare 30% do mar português como área protegida e faça já uma moratória sobre a mineração em alto mar.

Na sua intervenção, a coordenadora do Bloco de Esquerda falou sobre a Conferência dos Oceanos, que começa na segunda-feira em Lisboa, salientando:

“Ouviremos as palavras mais bonitas sobre os compromissos quantos aos oceanos. Mas os cientistas que debatem os oceanos chegam a esta cimeira com duas propostas muito concretas: que 30% dos oceanos sejam considerados área protegida até 2030 e que haja uma moratória sobre a mineração do mar, para proteger o mar e os seus ecossistemas”, explicou.

E, acrescentou ainda que não será fácil, deixando um aviso sobre o ministro da Economia.

“Tivemos um ministro do Mar no anterior Governo, um cientista dedicado ao mar, que disse muitas vezes que era importante que não houvesse mineração no mar. Já não é ministro”, sublinhou, referindo-se a Ricardo Serrão Santos.

Roteiro climático começou na manhã deste sábado:

E, depois, completou o aviso, contrapondo que o atual ministro, Costa Silva, já disse que “a mineração do mar é sim o futuro e a sua aposta estratégica”. “Disse até que gostava de explorar petróleo no mar. Não pode, temos uma lei do clima que o impede, mas até isso o ministro da Economia queria fazer”, criticou Catarina Martins.

E acrescentou: “ouvimo-lo falar do mar, não para falar da questão ecológica ou do clima, mas para dizer que gostaria que Portugal fosse uma praça financeira do mar e nós estamos aqui para dizer que levamos os oceanos a sério, que levamos o clima a sério e queremos já uma moratória à mineração em alto mar, porque é a única forma de proteger os recursos”.

A coordenadora bloquista apontou ainda que o combate às alterações climáticas não é fácil, “porque é um caminho contra o capitalismo e contra a exploração predatória dos recursos do planeta” e terminou sublinhando que a luta pela Justiça Climática “está hoje no centro da agenda”.

 

E terminou com uma bicicletada:

 

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