OCDE propõe "Estado mais pequeno" e entrada dos privados nas pensões, saúde e educação

28 de janeiro 2013 - 11:04

Numa entrevista ao Diário Económico, Pier Carlo Padoan, economista-chefe e número dois do secretário-geral da OCDE, defendeu que as funções sociais do Estado têm de ser “reformuladas”, pois há serviços que têm de ser providenciados pelo Estado, mas não completamente”. Assim, teremos “um Estado mais pequeno”, disse, apontando para as despesas sociais, o corte de 4 mil milhões que o Governo pretende executar.

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O economista-chefe da OCDE aponta “necessários” cortes nas funções sociais do Estado, abrindo a porta dos serviços públicos aos privados. Foto de Paulete Matos.

Na edição desta segunda-feira do Diário Económico, a entrevista a Pier Carlo Padoan, economista-chefe e número dois do secretário-geral da OCDE não esclarece completamente sobre qual será o contributo definitivo desta organização no processo de corte de 4 mil milhões de euros na despesa do Estado, medida apregoada pelo Governo como inevitável.



Contudo, a redução da despesa é aconselhada a par da “necessidade de reformar o Estado”, leia-se Estado social. Assim, o economista aponta “necessários” cortes nas funções sociais do Estado, abrindo a porta dos serviços públicos aos privados: “Há serviços que têm de ser providenciados pelo Estado, como as pensões, saúde e educação; mas não completamente, pois o sector privado pode complementar”, defende. Assim, afirma Carlo Padoan, o corte na despesa do Estado deve passar por uma reformulação dos mecanismos: “Uma vez reformulados os mecanismos tem-se não só um Estado melhor, mas também um Estado mais pequeno”.



Estas medidas poderão gerar uma poupança considerável, defende Carlo Padoan, explicando que é preciso “repensar”: “repensar os cortes necessários que gerem eficiência” e, “num grande esforço, repensar o papel do Estado e da Administração Pública”.



Segundo o economista, a OCDE defende também uma redução nos impostos sobre o trabalho e sobre as empresas e, como forma de compensar, aponta para um aumento no IVA e impostos ambientais e sobre a propriedade.



Pier Carlo Padoan admite que a recomendação daquela organização “é fácil de dizer mas difícil de implementar”. Nesse sentido, afirma, a instituição que agrega 34 países tem vindo a aperceber-se de que a inclusão e a equidade são fatores tão importantes como as reformas económicas. “A partir de agora, qualquer grande política deve ser desenhada tendo em conta não só o impacto imediato no crescimento ou orçamento, mas também na equidade e na inclusão”, diz Pier Carlo Padoan.



“Portugal está a fazer um esforço tremendo e não deve inverter a direção do ajustamento”



Defendendo que são necessários mais esforços para a redução da despesa social do sector público, Pier Carlo Padoan aponta também para aquilo que considera um evidente “cansaço social” no país. “O cansaço social relativamente às reformas é muito grande, pelo enorme esforço do ajustamento. É perfeitamente compreensível”, assinala.



O que, no entanto, não quer dizer que Portugal se encontra no rumo errado: “Portugal está a fazer um esforço tremendo e não deve inverter a direção do ajustamento."



Assim, sobre a distribuição dos sacrifícios orçamentais, Pier Carlo Padoan escusa-se a críticas e formula apenas preocupações: “a população claramente sente o sacrifício; é importante que os mais fracos não paguem mais do que os mais fortes".



Sobre o brutal aumento do desemprego, a mesma atitude: diz que o aumento no desemprego é uma preocupação partilhada com mais países europeus, mas, na perspetiva do economista-chefe da OCDE, o desemprego é também um sintoma de um mercado laboral desequilibrado e não apenas da recessão. "O aumento do desemprego é, em certa medida, uma consequência da contração da economia, mas também é um sinal de que o mercado laboral pode ser melhorado", disse.



Sobre o mercado de trabalho, as únicas medidas que avançou foi o alinhamento de salários no setor público e privado e a introdução de “contratos individuais mais flexíveis” para especialistas.