OCDE: Portugal é o país com mais desemprego de longa duração

21 de abril 2011 - 10:55

Portugal era em 2010 o país da OCDE com maior percentagem de desemprego de longa duração (mais de 50 por cento do total dos desempregados), diz estudo.

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Portugal é o quinto país com mais desemprego, com uma taxa de 11,1 por cento, bem acima da média europeia. Foto Carla Luís.

Em Portugal, divulga o estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico intitulado “Persistência da taxa de desemprego: Quais os riscos? Que Políticas?”, mais de 50 por cento do total de desempregados em 2010 era de longa duração. Em 2007, esse valor estava abaixo dos 50 por cento.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que Portugal terminou 2010 com mais de 600 mil desempregados e sabe-se que metade destes não tem já direito a qualquer apoio social.

De acordo com o documento, em pelo menos dez países (Canadá, Dinamarca, Hungria, Irlanda, Nova Zelândia, Noruega, Espanha, Portugal, Reino Unido e os Estados Unidos) a proporção de desempregados de longa duração aumentou significativamente durante a crise.

O estudo da OCDE coloca a Hungria em segundo lugar em matéria de desemprego de longa duração, também com valores acima dos 50 por cento, muito próximo de Portugal.

A bater a linha dos 50 por cento estão países como Itália e Irlanda.

Em 2007, antes da crise, nenhum destes países chegava perto destas percentagens de desemprego de longa duração, registando valores abaixo dos 50 por cento.

Em contraponto, a OCDE revela que um outro grupo de países registou uma quebra de desemprego de longa duração durante a crise, tais como a Eslováquia, a Alemanha, a República Checa, a Grécia, a Polónia, a Bélgica, a Holanda e a Áustria.

Preocupações sobre a persistência do desemprego são particularmente pronunciadas em países que passaram por grandes aumentos no desemprego de longa duração e a OCDE aponta para a necessidade de apostar na formação durante este período.

Os últimos dados referentes ao desemprego nos países da OCDE retratam um decréscimo do desemprego, revelando que no conjunto dos 30 países que formam a OCDE, o desemprego desceu para 8,2 por cento em Fevereiro de 2011 face aos 8,3 por cento registados em Janeiro.

No entanto, Portugal é o quinto país com mais desemprego, com uma taxa de 11,1 por cento bem acima da média europeia. Sabe-se que o desemprego real está na ordem dos 13,8%, embora as estatísticas já sublinhem uma taxa de desemprego histórica. Contando com “inactivos disponíveis e o subemprego visível”, para além dos precários que oscilam em situações de desemprego e contratos a prazo, o número de desempregados sobe de 619 mil para 768.900.

No final de Fevereiro de 2011 existiam 44,9 milhões de desempregados na zona da OCDE, o que representa um aumento de 14,3 milhões em relação a Julho de 2008.