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OCDE: educação em Portugal progride, mas classe docente está envelhecida

Portugal tem feito progressos na educação e aproxima-se da média da OCDE, ultrapassando-a nalguns aspetos, afirma o relatório Education at a Glance para 2019. Mas o país tem de renovar uma classe docente das mais envelhecidas a nível internacional.
Foto: Paulete Matos.
Foto: Paulete Matos.

Um sistema de ensino em crescimento a todos os níveis, que está a melhorar os índices de educação da população, mas com uma das classes docentes mais envelhecidas e precisada de renovação urgente. Eis o retrato do ensino em Portugal feito pela edição de 2019 do Education at a Glance, relatório da OCDE sobre sistemas educativos a nível internacional.

O relatório compara os países da OCDE (praticamente todos os países da Europa e da América do Norte, mais a Turquia, Israel, Chile, Austrália e Japão) bem como um conjunto de países não-membros (Brasil, Rússia, Argentina, China, Costa Rica, Índia, Indonésia, Arábia Saudita, África do Sul).

Em relação ao Ensino Superior, Portugal continua a ter menos diplomados que a média internacional (25% dos adultos, 40% na OCDE), mas tem feito "melhorias consideráveis" ao longo dos anos. Nas gerações mais jovens de 25-34 anos, a taxa de diplomados subiu 12 pontos percentuais numa década, para 35%, aproximando-se da média da OCDE. Na faixa dos 19-20 anos, a percentagem de inscritos no superior já está acima da OCDE: 41% contra 37%. Nos mestrados e doutoramentos, a percentagem de inscritos também está acima da OCDE: 33% dos estudantes do superior estão em mestrado, contra 16% na média da OCDE; 6% estão em doutoramento, contra 2%. 23% dos doutorandos no país são estrangeiros.

No entanto, as taxa de conclusão no Ensino Superior português ainda são comparativamente baixas, no terço inferior da tabela internacional. Cerca de 30% dos estudantes de licenciatura concluem o grau no prazo original de três anos, situação semelhante à da Bélgica, Holanda ou Brasil. Ao fim de seis anos, a taxa de conclusão sobe para cerca de 65%, valor intermédio a nível internacional. A OCDE admite esta situação como resultado de uma trajetória de alargamento do acesso ao Ensino Superior, que ao admitir estudantes menos preparados precisa de lhes dar mais tempo para concluir os estudos.

Os cursos superiores mais frequentados em Portugal são os associados a maiores rendimentos no mercado de trabalho: engenharias (21% dos diplomados) e gestão e direito (19%). Os diplomados destas áreas, bem como das tecnologias de informação, ganham aproximadamente o dobro do que ganha quem ficou pelo ensino secundário.

O ensino pré-primário também tem crescido, e Portugal tem agora a nível internacional percentagens relativamente altas de inscritos, particularmente abaixo dos três anos de idade. Quase 20% das crianças com menos de 1 ano de idade estão em creches, o quarto valor mais alto em toda a OCDE, cuja média é 9%. Valores que sobem para 40% nas crianças de um ano e 52% nas crianças de dois anos (49 e 62% na OCDE respetivamente). Ao todo, 37% das crianças abaixo dos três anos estão no pré-primário. Em 2010, eram 27%.

O envelhecimento do corpo docente é outro aspeto em que Portugal se destaca. Ao longo dos anos, o congelamento de admissões na função pública devido a políticas de austeridade, entre outros fatores, impediu a renovação da classe docente e fez dela uma das mais envelhecidas a nível internacional. Em 2005, afirma a OCDE, 16% dos professores do primário e secundário tinham menos de 30 anos, 22% tinham mais de 50 anos. Hoje, são 1% e 40% respetivamente (36% e 10% na OCDE).

Entre outros aspetos de interesse, os alunos em Portugal passam muito tempo nas salas de aula, fenómeno que a OCDE já havia salientado num relatório anterior. Os alunos do primário e secundário nacional passam 8214 horas em aulas; lá fora, passam em média 7590 horas. Já o tamanho das turmas está na média internacional, com turmas de 21 alunos em média no ensino primário e 22 no secundário (21 e 23 na OCDE).

Por fim a OCDE destaca Portugal como um dos poucos países em que os professores ganham mais que outros trabalhadores com diploma superior. O fenómeno verifica-se sobretudo entre os professores jovens (25-34 anos), que ganham 45% mais que outros trabalhadores da mesma idade. Em idades mais avançadas, a vantagem desaparece. Isto não significa que os professores jovens ganhem bem. Pelo contrário, são os jovens licenciados de outras profissões que ganham comparativamente muito pouco no início da vida ativa, desvantagem que recuperam em parte com os anos.

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