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Professores portugueses são dos que passam mais tempo a gerir comportamentos de alunos

Inquérito da OCDE em 48 países revela que os professores portugueses passam mais tempo do que a média a gerir os comportamentos dos alunos em vez de dar aulas. São ainda dos mais envelhecidos.
Caderno e calculadora. Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

A OCDE publicou esta semana os resultados mais recentes do Teaching and Learning International Survey, ou TALIS, inquérito internacional periódico a professores e diretores de escolas. O TALIS 2018 abrangeu cerca de 260 mil professores do básico ao secundário em 200 escolas selecionadas aleatoriamente em cada um de 48 países analisados. Constitui assim uma fonte de referência para comparações internacionais em matéria de experiências e perceções docentes.

Em relação a Portugal, um dado relevante é o tempo abaixo da média dedicado a atividades de ensino e aprendizagem na sala de aula, e ocupado em vez disso por tarefas como controlar o comportamento dos alunos, verificar presenças ou distribuir formulários. Com 73,5% do tempo em sala passado propriamente a dar aula, Portugal é dos países em que este é mais baixo (p. 63). A diferença é visível mas não enorme para a média da OCDE (78%) ou, no topo do tabela, a Rússia, a Estónia e o Vietname (cerca de 85%).

Um dos fatores que mais influenciam o tempo passado a dar aulas é o tamanho das turmas: quanto maiores as turmas, mais tempo perdido a gerir o comportamento e a atenção dos alunos. No tamanho das turmas, todavia, Portugal está próximo da média da OCDE, com 22 alunos por turma, número que tem baixado e se perspetiva que continue a baixar.

Pelo lado positivo, os docentes portugueses são os mais confiantes quanto à sua capacidade de controlar situações de mau comportamento dos alunos: 98% afirma consegui-lo, o valor mais alto de todos os países, a maioria dos quais oscila entre os 80 e 90%. No fundo da tabela, abaixo 80%, encontra-se os professores do Cazaquistão, França e Japão.

O tempo de trabalho é outro dado de interesse. Os professores portugueses estão no terço superior da tabela (p. 71), encimada pelo Chile, México e Brasil. Mais tempo de trabalho não significa melhores resultados: onde os professores declaram trabalhar menos horas encontra-se países com excelentes índices de literacia, como a Noruega, Holanda, Singapura ou Japão

O envelhecimento da classe docente portuguesa é outro aspeto que dá que pensar. Os professores portugueses têm em média 49 anos, e quase metade (47%) tem mais de 50 anos — em 2013 eram apenas 28% acima dos 50. Ou seja, o país sofreu uma grande falta de novas pessoas a entrar na carreira docente. Durante a próxima década, afirma a OCDE, "Portugal vai ter de renovar cerca um em cada dois membros da sua classe docente".

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