A construção de uma nova sede para a Câmara Municipal de Oeiras, com contrato de agosto de 2020, começou com um custo de 44,9 milhões de euros mas já está nos 63,6 milhões, com previsão de chegar aos 70. São 32 alterações ao contrato desde março de 2022, o que significa que em média houve uma alteração ao seu custo praticamente todos os meses nos últimos anos.
O Fórum Municipal de Oeiras não tem data de inauguração. Em fevereiro, Isaltino Morais publicou no Facebook uma visita aos estaleiros em que mostra a obra a avançar “em bom ritmo”, sendo inaugurada “em breve”.
A Sábado, que avança a informação sobre o aumento do custo da obra do Executivo de Isaltino Morais, explica que o autarca não respondeu às suas perguntas sobre a data de inauguração e sobre a derrapagem dos custos. O aumento em 18,6 milhões na obra significa um aumento de 41% face ao preço original, isto sem contar com alguns trabalhos complementares que também sofreram aumentos dos preços.
Oeiras
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Há um ano, a vereadora Carla Castelo, da coligação Evoluir Oeiras, sublinhava que já tinham sido gastos mais de 2,6 milhões de euros em trabalhos complementares. Isto é, estudos, projetos, revisões, assistências técnicas, certificações, etc. Estima-se que, no total, a obra terá um custo de cerca de 70 milhões de euros.
A obra foi adjudicada a um consórcio da Tecnovia e da Acciona, com um prazo de conclusão de dois anos. Mas a primeira pedra só foi lançada um ano depois do contrato estar assinado, e passados quatro anos ainda não está concluída. Também a fiscalização e coordenação da segurança da obra foi adjudicada à empresa Vítor Hugo – Coordenação e Gestão de Projetos, SA, com um orçamento inicial de quase 500 mil euros, mas que foi atualizado em dezembro de 2024 para 688 mil.
Isaltino Morais, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, será candidato à autarquia nas próximas eleições pelo PSD. Foi presidente dessa mesma autarquia entre 1986 e 2002, tendo saído para ser ministro das Cidades de Durão Barroso. Em 2009 foi condenado a sete anos de prisão por corrupção passiva para ato ilícito, abuso de poder, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Acabou por apenas cumprir prisão entre 2013 e 2014, saindo em liberdade condicional e voltando à presidência da Câmara Municipal de Oeiras em 2017.