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O Reino Unido anunciou libertação mas a “pingdemia” está a deixar prateleiras vazias

Há 1,7 milhões de pessoas em isolamento por terem estado em contacto com pessoa infetadas com Covid-19. A variante delta está a aumentar contágios. Muitos setores da economia estão a ressentir-se fortemente.
Supermercado britânico com algumas prateleiras vazias. Foto de ANDY RAIN/EPA/Lusa.
Supermercado britânico com algumas prateleiras vazias. Foto de ANDY RAIN/EPA/Lusa.

O passado dia 19 de julho foi anunciado em parte da imprensa como “o dia da libertação” da pandemia e, com o levantamento das restrições, anunciava-se um “regresso à normalidade”. Mas aquilo com que os britânicos se deparam agora é com uma realidade feita de prateleiras de supermercados vazias, bombas de gasolina fechadas, serviços indisponíveis e atrasos em entregas.

Tudo isto porque a variante delta da Covid-19 aumenta no Reino Unido, atingindo quase os 50.000 casos por dia, e há atualmente 1,7 milhões de pessoas em isolamento. Estas foram identificadas pela aplicação do Serviço Nacional de Saúde britânico, Test & Trace, como tendo estado em contacto ou muito próximo de alguém infetado. De acordo com a lei, mesmo que estejam vacinadas ou tenham sido testadas, as pessoas notificadas (“pinged”) têm de ficar em casa durante dez dias. Por isso, o termo “pingdemic”, entrou na gíria local.

Entre cinco e onze de julho, segundo o National Health System, houve 620.000 notificações. Na semana anterior tinha sido 520.000.

Para além das icónicas, porque capa de jornais, prateleiras vazias em grandes superfícies como a Tesco ou a Sainsbury, há notícias de comboios e autocarros cancelados e linhas de metro a fechar mais cedo, recolhas de lixo afetadas. Devido à falta de trabalhadores, também há lojas de retalho a alterar horários, como a Marks & Spencer, e outras a fechar mesmo algumas das suas lojas, como a Iceland. Na indústria, mais de três quartos das fábricas terão sido afetadas segundo a associação patronal Make UK. Há fábricas com menos 25% dos trabalhadores. E os transportes de mercadorias são também um setor muito afetado o que compromete toda a circulação de bens. Por exemplo, a Food and Drink Federation, anunciou que três quartos das empresas do setor alimentar e das bebidas se deparavam com falta de condutores.

Para além disso, mais de um milhão de alunos teve alguma das suas aulas cancelada na semana passada, um em cada sete alunos não foi à escola devido à Covid. Os correios britânicos anunciaram atrasos. E a falta de pessoal afeta também os hospitais que, ao mesmo tempo, estão a enfrentar mais hospitalizações.

Para além da economia, também parte significativa da política está em isolamento. O primeiro-ministro Boris Johnson, assim como o líder dos Trabalhistas, Keir Starmer, e ainda ministros como da Saúde e Economia encontram-se nesta situação.

O governo, por intermédio do ministro do Comércio, Kwasi Kwarteng, anunciou na quinta-feira que iria publicar uma nova lista de trabalhos que estarão isentos de quarentena, enquanto que para a generalidade da população a situação se mantém até pelo menos ao dia 16 de agosto. Esta sexta-feira esclareceu-se que os trabalhadores essenciais da indústria alimentar estarão isentos da obrigatoriedade de cumprir o isolamento profilático tendo em vez disso de fazer testes diários em caso de contacto com pessoa infetada. Foram identificados para já 16 setores prioritários, como os centros de distribuição dos supermercados, saúde, transportes e energia onde se começará a aplicar a medida através de um programa-piloto. A lista de empresas em que os trabalhadores estarão isentos de isolamento poderá ser depois expandida até 500.

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