Há poucos dias, o PS enviou pedidos de reunião ao PCP e ao Bloco de Esquerda para discutir a preparação das eleições autárquicas, mas a iniciativa ficou comprometida logo a seguir com a recusa do PCP em dialogar com o PS. Por seu lado, o Bloco aceitou o convite e a reunião decorreu esta quinta-feira à tarde na sede nacional bloquista.
No fim da reunião, o dirigente bloquista Pedro Soares lembrou os jornalistas que "o Bloco desafiou há quatro meses todos os partidos da esquerda para uma grande convergência" em candidaturas nalguns municípios governados pela direita, sublinhando que "não seria pelo Bloco que estas convergências não se realizariam".
"Quatro meses depois, o PS vem propor-nos que apoiemos alguns candidatos socialistas já lançados nas respetivas campanhas", notou Pedro Soares, o que contraria as decisões aprovadas pela Convenção do Bloco. Por outro lado, a indisponibilidade do PCP para essas convergências de toda a esquerda contribuiu para afastar a hipótese de coligações entre Bloco e PS. "Não nos parece que coligações bilaterais conseguissem esse objetivo" de mobilizar o conjunto da esquerda para desafiar os poderes instalados nalguns municípios.
Pedro Soares afirmou ainda que o Bloco está "aberto às iniciativas de movimentos de cidadãos" que têm construído alternativas de esquerda para as próximas autárquicas, dando o exemplo de Coimbra, onde a concelhia bloquista já decidiu o apoio à candidatura promovida por um movimento de cidadãos. Outro caso de candidaturas alargadas nas eleições deste ano será o do Funchal, onde desde a sua fundação o Bloco tem defendido a união de todas as forças para derrotar a máquina do PSD/Madeira que controla a Região e a autarquia. A candidatura da oposição juntará seis partidos nas próximas autárquicas no Funchal.
Pela delegação socialista, Miguel Laranjeiro afirmou que "o PS concorre em listas próprias na esmagadora maioria do país, mas estava aberto a um diálogo à esquerda" para encontrar coligações nalguns municípios, dando o exemplo do Porto, onde já apresentou Manuel Pizarro como candidato. Por outro lado, a moção de António José Seguro ao próximo Congresso do PS diz que "no plano autárquico concorreremos em todo o país de forma autónoma afirmando a nossa matriz e o nosso programa".