“Sentimos em todo o processo, em toda a campanha, (…) que o povo está cansado. Cansado e quer mudança”, disse Xanana Gusmão na primeira reação ao anúncio dos resultados provisórios que deram a vitória ao seu partido, o Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste, com 41,6% dos votos e 31 dos 65 deputados do Parlamento, mais dez do que na anterior legislatura.
Sem querer avançar se será candidato a primeiro-ministro e quais serão as alianças para garantir essa maioria de governo, pelo menos até que sejam declarados os resultados oficiais, Xanana prometeu que o próximo executivo vai ser de “consolidação do Estado e das instituições”.
A primeira mensagem de Xanana após a vitória foi a de se congratular pela forma pacífica como decorreu o processo eleitoral. "Não houve problemas em lado nenhum. Isso é que é importante. Festa da democracia é isso, ir votar, com respeito mútuo, com respeito uns aos outros e, no fim, não há problemas”, disse, citado pela agência Lusa.
Os partidos que compõem o atual governo saíram penalizados desta eleição. A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin, de Mari Alkatiri), ficou em segundo lugar com 25,75%, o pior resultado de sempre do partido em termos percentuais, perdendo quatro dos atuais 23 lugares. O Partido Libertação Popular, do atual primeiro-ministro Taur Matan Ruak, com 5,9%, perdeu metade da representação parlamentar e passou de terceira para quinta força política. A terceira posição passou a ser ocupada pelo Partido da Liberdade, com 9,3% dos votos e que provavelmente garantirá ao CNRT os seus seis deputados para formar uma maioria parlamentar de apoio ao próximo governo timorense. Com 7,52% dos votos, o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) mantém os cinco deputados num parlamento que passa a contar com cinco bancadas, menos três do que na anterior legislatura.
Dos restantes doze partidos, apenas dois se aproximaram da barreira de 4% que permite entrar no Parlamento: o estreante Partido Os Verdes de Timor (PVT) e o Partido Unidade e Desenvolvimento Democrático (PUDD), que assim perdeu o único lugar que ocupava no hemiciclo.