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"O país está a responder a uma pandemia com menos médicos do que tinha no ano passado"

À saída de uma reunião com António Costa, Catarina Martins voltou a lembrar que a contratação de mais profissionais de saúde era uma obrigação que já estava inscrita no Orçamento para 2020 e deve ser concretizada com urgência.
Fotografia de Paulete Matos.

O Bloco de Esquerda reuniu esta segunda-feira com o primeiro ministro António Costa sobre o Plano de Recuperação e Resiliência e exigiu o cumprimento do Orçamento deste ano no que respeita à contratação de profissionais para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"É muito preocupante que não tenham sido feitas as contratações que estavam previstas no Orçamento para 2020. Mesmo os profissionais que foram contratados extraordinariamente, enfermeiros e assistentes operacionais, tiveram contratos muito precários e que ainda por cima ainda não foram todos renovados desde a primeira fase da pandemia da covid-19 até agora", declarou Catarina Martins à saída da reunião.

Em relação às negociações para o Orçamento do Estado para 2021, a coordenadora bloquista esclareceu que o partido “tem estado num enorme esforço para construir soluções com as dificuldades que são claras”, mas que a urgência desta matéria em particular “é para já, é imediata, é para responder”, frisou em citação da agência Lusa. 

"Também esperamos que o Governo faça a sua parte para executar medidas que são essenciais, nomeadamente medidas que foram decididas antes da pandemia, como para a contratação de mais profissionais de saúde, e que a pandemia só tornou mais urgentes. Portanto, [o Governo] não pode relegar para segundo plano", avisou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda lembrou também que a contratação de mais profissionais de saúde para o SNS estava prevista no OE 2020 e por isso “aquilo que foi negociado para o Orçamento deste ano tem de ser cumprido" pelo Governo.

"O Bloco de Esquerda fez uma negociação centrada no SNS e viabilizou o Orçamento para 2020 tendo em conta o SNS - e ainda bem que o fizemos. Foi reforçado do ponto de vista financeiro, mas o Governo nunca avançou com estas contratações", criticou.

"Em parte, a justificação está no facto de os exames para aceitarem médicos internos terem sido alterados por causa da pandemia. Mas a verdade é que não houve outros mecanismos de compensação e, portanto, o país está a responder a uma pandemia com menos médicos do que tinha no ano passado, o que é muito preocupante e requerer que se resolva com enorme urgência. Os trabalhadores do SNS são merecedores da gratidão deste país. O número de horas extraordinárias que têm feito não tem paralelo - aliás, é preocupante porque ainda não acabou o trabalho que têm de fazer e estão exaustos", apontou.

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