"O Governo PSD/CDS faz tudo para que o abuso seja a regra"

10 de janeiro 2015 - 2:18

Catarina Martins esteve esta sexta-feira com os trabalhadores da transportadora Forcargo, de Grijó, em Vila Nova de Gaia, que promovem uma paralisação em protesto pelo não-pagamento de trabalho extraordinário. A porta-voz do Bloco defendeu que "o exemplo desta greve é o exemplo de quem constrói o futuro do país”.

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Foto de Paulete Matos.

"Os trabalhadores e o sindicato têm vindo a recorrer à Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) e até agora a mesma nunca veio falar com estes trabalhadores, tem-se mantido completamente alheada deste processo. O que o Bloco vai fazer é exigir ao ministro da Economia respostas sobre a atuação da ACT, para que esta fale com estes trabalhadores para podermos saber como é a sua situação laboral", afirmou a dirigente bloquista após o encontro com os trabalhadores da transportadora rodoviária de mercadorias Forcargo.

Segundo Catarina Martins, "o Estado em Portugal não pode deixar que o abuso seja a regra no trabalho", apesar de saber que "o Governo PSD/CDS faz tudo para que o abuso seja a regra".

"É muito difícil fazer greve neste setor. É uma profissão em que há uma grande chantagem, há uma quantidade grande de trabalho precário e porque se sabe que há chantagem, as empresas têm vindo a abusar. Este é um caso", frisou.

Lembrando que os trabalhadores da Forcargo "ganham hoje menos um terço de salário do que ganhavam há cinco anos e passam muito mais dias fora de casa", e que “40% dos motoristas são trabalhadores precários, têm contratos a prazo”, existindo mesmo “situações de contrato a viagem", a porta-voz do Bloco exaltou a luta dos grevistas.

Para a dirigente bloquista, "o exemplo desta greve é o exemplo de quem constrói o futuro do país porque até agora sempre que se aceitou a chantagem de que os salários deviam descer só serviu para a seguir o país ficar pior e os salários descerem ainda mais".

"Os trabalhadores que aqui estão, estão a dizer que não se resignam, que o trabalho tem que ser pago, que o salário faz parte da dignidade dos trabalhadores, faz parte do seu futuro e nesse sentido estão a defender a economia do país. Neste momento é isto que tem que se discutir em Portugal", destacou.

A mudança que o país precisa é a que "respeita quem trabalha em Portugal”

Referindo-se à mensagem de Natal do secretário-geral do PS, António Costa, que afirmou acreditar que 2015 seria um ano de mudança em Portugal, transmitindo uma perspetiva de "confiança responsável" em relação ao futuro do país, Catarina Martins salientou que a mudança que o país precisa é a que "respeita quem trabalha em Portugal, é a mudança que assume a responsabilidade de dizer: sim, os salários têm que ser recuperados em Portugal".

Na opinião de Catarina Martins só haverá mudança "exigindo salários, direitos do trabalho e respeito pela possibilidade da vida digna do país", defendendo que, sem isto, está-se a falar de "alternância e até de rotação de cadeiras mas isso não interessa nada ao país".

"O que interessa ao país é esta luta. São todos os cidadãos e cidadãs que estão em casa indignados, que não se resignam, que não estão derrotados, que sabem que neste país se pode trabalhar e construir mudança, que exigem salário e que exigem emprego", rematou.

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