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"O Governo propõe menos do que prometeu aos professores"

A deputada bloquista Joana Mortágua diz que o ministro da Educação só apresentou duas propostas e "tudo o resto são promessas". E insiste na necessidade de recuperar os anos de carreira congelados, tal como o Bloco propôs e o PS e o PSD chumbaram em 2019.
Joana Mortágua. Foto de Ana Mendes.

Em declarações à SIC-Notícias acerca da nova ronda negocial entre Ministério da Educação e sindicatos, a deputada do Bloco Joana Mortágua afirmou que do que se sabe dessas negociações "o Governo propõe menos do que prometeu no passado, menos do que é preciso e o que faz é deixar muitas promessas" aos professores.

"Oficialmente só há duas propostas em cima da mesa: a redução dos quadros de zona pedagógica e a vinculação de professores que são precários. Tudo o resto são promessas", prosseguiu Joana Mortágua, criticando a forma como o executivo tem gerido a negociação, começando por colocar em cima da mesa "coisas que sabia que eram inaceitáveis para os professores: a introdução de outros critérios que não a graduação, que é o critério mais transparente de colocação de professores, e o conselho intermunicipal de diretores com um papel na gestão da colocação de professores" e que "ainda não está completamente afastado".

Sobre a proposta da vinculação dos professores que trabalham há muitos anos em situação de precariedade, Joana Mortágua afirma que "é trágico que um Governo chegue a 2023 e diga que consegue vincular de um momento para o outro 10.500 professores. É sintomático de um Governo que sabe que tem um problema, não o quer resolver e aponta a resolução do problema como uma moeda de troca pelo direito dos professores à carreira. É um mau começo colocar uma questão da mais básica sobrevivência da escola pública como moeda de troca", sublinhou.

Esta forma de negociar com os professores não é nova, reforçou Joana Mortágua, pois "tudo o que são melhorias no sistema passam anos a ser negociadas, tudo o que é piorar ou alterar as condições dos concursos é imposto imediatamente".

"Estes 10.500 professores têm em média 10 ou 15 anos de serviço e têm a sua família formada. Vão continuar a ser necessários na região de Lisboa e no sul do país. Se o Governo não lhes pagar as despesas de deslocação e habitação, vai continuar a ter um problema, porque os professores não têm salário que lhes permita ter duas casas", avisou a deputada.

Joana Mortágua falou também da reivindicação antiga dos professores e que o Governo continua a recusar. "Em 2019, quando o PSD se juntou ao PS para chumbar a recuperação do tempo de serviço, proposta pelo Bloco de Esquerda - que chegou a estar aprovada em comissão e depois foi chumbada pelo PSD em plenário por causa da chantagem do primeiro-ministro - os professores sentiram e bem que isso era uma traição. Na carreira dos professores, essa recuperação é determinante, porque significa a maneira como vão progredir na carreira".

Mas significa também a luta pela dignidade da profissão, acrescentou a deputada, lembrando que a recusa do PS em fazer justiça às carreiras dos professores "foi acompanhada de um discurso contra os professores, que gerou um sentimento de desgaste perante uma carreira desvalorizada". É por isso "um grito de revolta perante o discurso do Governo que permanentemente desvaloriza perante a sociedade o papel do proofessor, a importância do professor e a necessidade do seu reconhecimento", concluiu Joana Mortágua.

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